Lula cobra promessa climática de países ricos feita há 16 anos e defende novo modelo de financiamento

Lula cobra promessa climática de países ricos feita há 16 anos e defende novo modelo de financiamento

Durante evento no Rio, presidente critica atraso de US$ 100 bilhões anuais prometidos na COP15 e diz que austeridade só empobrece ainda mais os mais pobres

Durante discurso na reunião anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), realizada nesta sexta-feira (4) no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a pressionar os países ricos a cumprirem uma promessa feita ainda em 2009: a de destinar US$ 100 bilhões por ano para ajudar países em desenvolvimento no enfrentamento às mudanças climáticas.

“Todo mundo sabe que, lá na COP15, em Copenhague, os países ricos prometeram esse valor anual para apoiar as nações mais vulneráveis. Mas já estamos em 2025 e esse dinheiro nunca chegou”, afirmou Lula. Segundo ele, o valor necessário hoje para cumprir os compromissos climáticos e evitar o aquecimento acima de 1,5°C já saltou para US$ 1,6 trilhão.

Lula destacou que não há alternativa viável além do planeta Terra, e criticou os investimentos em buscas por “outros planetas habitáveis”, dizendo que o esforço deveria estar voltado para mudar o modelo de desenvolvimento e reduzir os impactos dos gases de efeito estufa.

Além da cobrança aos países ricos, Lula também apontou o papel do NDB na criação de mecanismos mais justos de financiamento internacional. “Se não discutirmos isso com quem tem o dinheiro, vamos discutir com quem?”, provocou. Ele defendeu a criação de novos modelos de financiamento sem as chamadas “condicionalidades” — exigências de austeridade impostas por instituições financeiras que, segundo ele, aprofundam a desigualdade social.

“A austeridade nunca funcionou. Onde ela foi aplicada, os pobres ficaram mais pobres, e os ricos mais ricos”, criticou. Como exemplo, citou a dívida dos países africanos, que chega a US$ 900 bilhões, e denunciou que os juros pagos superam os recursos disponíveis para investimentos em áreas essenciais.

Para Lula, se não houver mudanças concretas e colaboração efetiva dos países mais ricos, as nações em desenvolvimento da África, Ásia e América Latina correm o risco de permanecer na pobreza por mais um século.

Contexto da promessa

A promessa de US$ 100 bilhões anuais foi feita durante a COP15, conferência do clima realizada em 2009 na Dinamarca. A ideia era apoiar países mais frágeis na mitigação dos efeitos da crise climática, promover adaptação e estimular a transferência de tecnologia. Até hoje, no entanto, os valores prometidos não foram totalmente entregues, frustrando expectativas globais e gerando críticas, como a feita por Lula.

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