
Lula confirma encontro com dono do Banco Master e promete investigação sem interferência
Presidente afirma que caso será tratado de forma técnica pelo Banco Central e diz que apuração irá até as últimas consequências
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que se reuniu com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e garantiu que o governo não adotará qualquer tipo de interferência política no caso. Segundo Lula, eventuais irregularidades envolvendo a instituição financeira serão analisadas exclusivamente pelo Banco Central, com base em critérios técnicos.
A declaração foi dada em entrevista ao portal UOL, na qual o presidente detalhou como ocorreu o encontro, realizado em Brasília após um pedido intermediado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. De acordo com Lula, a reunião seguiu o mesmo padrão de outros encontros que ele mantém com representantes do sistema financeiro.
Reunião intermediada e presença de autoridades
Lula explicou que já recebeu dirigentes de diversos bancos durante o mandato e que, nesse caso específico, Vorcaro não tinha agenda oficial previamente marcada. O pedido para a conversa partiu de Mantega, que esteve em Brasília e solicitou a audiência.
Segundo o presidente, além do empresário, participaram do encontro integrantes do governo, como o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e ministros da área econômica. Durante a conversa, Vorcaro teria relatado que se sentia alvo de perseguições e pressões no mercado financeiro.
“Não haverá posição política”, afirma Lula
O presidente afirmou que deixou claro ao empresário que o governo não tomaria partido no caso.
“O que eu disse a ele foi simples: não haverá posição política a favor nem contra o Banco Master. O que haverá é uma investigação técnica conduzida pelo Banco Central”, declarou Lula.
Segundo ele, caberá à autoridade monetária avaliar se houve irregularidades, como fraudes, lavagem de dinheiro ou má gestão, e apontar responsabilidades.
Convocação de ministros e do Ministério Público
Após a reunião, Lula afirmou ter chamado o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o presidente do Banco Central e o procurador-geral da República para discutir o tema e alinhar informações. Para o presidente, o caso pode se tornar um marco no combate a crimes financeiros no país.
“Não importa quem esteja envolvido — seja político, partido ou banco. Quem tiver responsabilidade vai ter que pagar”, disse Lula, acrescentando que o episódio pode estar ligado a um dos maiores prejuízos econômicos já registrados no Brasil.
Respeito aos limites institucionais
Ao ser questionado sobre a possibilidade de criação de uma CPI para apurar o caso, Lula ressaltou que respeita os limites do cargo que ocupa e que não pode interferir nos órgãos responsáveis pelas investigações.
“Eu não sou Polícia Federal, não sou Banco Central, não sou Ministério Público e não tenho poder para interferir na Suprema Corte”, afirmou.
Segundo o presidente, a orientação do governo é garantir total autonomia às instituições para que a apuração seja feita de forma independente.
Investigação até o fim
Lula reforçou que a determinação é aprofundar as investigações para identificar responsáveis e evitar que situações semelhantes se repitam.
“A ordem é investigar até as últimas consequências, para entender o rombo causado e garantir que isso nunca mais volte a acontecer”, concluiu.