
Lula convoca reunião às pressas e pede “todas as informações” sobre prisão de Maduro
Enquanto o ditador venezuelano é capturado, Planalto age com cautela — e Lula, ao que tudo indica, não esconde o desconforto
A captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos caiu como uma bomba no governo brasileiro — e, ao que parece, deixou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visivelmente apreensivo. Neste sábado (3/1), Lula fez um pedido direto a seus assessores durante uma reunião de emergência convocada para tratar da ofensiva americana na Venezuela.
Segundo relatos de fontes presentes no encontro, o presidente solicitou que sua equipe levantasse “o máximo de informações possível” sobre a situação no país vizinho. Afinal, quando um velho aliado político cai, todo detalhe importa — especialmente quando a notícia não é exatamente motivo de comemoração no Planalto.
Mesmo curtindo férias no Rio de Janeiro, Lula acompanhou a reunião de forma remota. Para isso, o governo improvisou uma espécie de QG na base militar da Restinga da Marambaia, garantindo que o presidente pudesse participar das discussões em tempo real. Prioridades são prioridades.
A ideia do Planalto é reunir mais dados para embasar uma nova rodada de conversas ainda no fim da tarde. Entre as maiores preocupações do governo está a situação das fronteiras brasileiras, que podem sentir rapidamente os reflexos do caos político venezuelano.
Outro ponto que chama atenção é a postura cautelosa — quase silenciosa — adotada pelo governo brasileiro. De acordo com interlocutores, a orientação foi aguardar a coletiva do presidente dos EUA, Donald Trump, antes de qualquer novo posicionamento oficial. Traduzindo: melhor ouvir tudo antes de falar algo que possa desagradar ainda mais aliados… ou ex-aliados.
Participaram presencialmente da reunião nomes de peso, como o ministro da Defesa, José Múcio, a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, além da embaixadora Maria Laura da Rocha e diplomatas do Itamaraty.
Enquanto isso, Maduro segue preso, Washington comemora a operação, e em Brasília o clima é de tensão, cautela — e, para alguns críticos, de um certo luto político mal disfarçado. Afinal, quando um “companheiro” cai, não é todo dia que dá para fingir indiferença.