
đ ParabĂ©ns aos jurados: o enredo ficou, a escola caiu
Homenagem polĂtica na avenida termina em rebaixamento e deixa gosto amargo no Carnaval do Rio
A AcadĂȘmicos de NiterĂłi, que apostou alto ao transformar a avenida em palanque e homenagear Luiz InĂĄcio Lula da Silva, acabou pagando a conta na apuração desta quarta-feira (18). Em sua estreia no Grupo Especial, a escola terminou na Ășltima colocação e foi rebaixada, levando apenas duas notas 10 â um resultado que soou como um recado claro dos jurados.
Ironia do destino: enquanto o discurso era de âesperançaâ, o saldo foi queda. E, cĂĄ entre nĂłs, parabĂ©ns aos jurados pela frieza tĂ©cnica diante de um desfile que confundiu crĂtica social com propaganda e arte com militĂąncia.
đ¶ Do palanque ao tombo
Com o enredo âDo Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operĂĄrio do Brasilâ, a escola narrou a trajetĂłria do presidente desde a infĂąncia no Nordeste atĂ© o Planalto. Teve rampa presidencial, referĂȘncias a ministros do STF, ex-presidentes e ataques explĂcitos a adversĂĄrios polĂticos â tudo embalado por alegorias grandiosas.
Mas a avenida cobra execução. E foi aĂ que o espetĂĄculo desandou: problemas graves na dispersĂŁo, correria no fim do desfile e alegorias travadas na saĂda prejudicaram a prĂłpria escola e a seguinte. Carnaval tambĂ©m Ă© logĂstica â e isso pesa na nota.
âïž Antes mesmo do desfile, a polĂȘmica jĂĄ estava armada
O enredo acumulou açÔes judiciais, questionamentos no MinistĂ©rio PĂșblico, no TCU e alertas do TSE por possĂvel propaganda eleitoral antecipada. O desfile aconteceu, mas sob vigilĂąncia. Depois, vieram os elogios nas redes sociais do presidente e a reação imediata da oposição, que prometeu novas medidas.
A ala âNeoconservadores em conservaâ, com famĂlias dentro de latas e referĂȘncias religiosas, ampliou a crise e atraiu crĂticas duras, especialmente de parlamentares ligados ao segmento evangĂ©lico. A escola respondeu dizendo ter sido âperseguidaâ â argumento conhecido quando a recepção nĂŁo Ă© a esperada.
đ§Ÿ O veredito da avenida
No fim, a SapucaĂ falou por meio das notas. Poucos 10, muitos descontos e um rebaixamento que expĂ”e o risco de misturar Carnaval com campanha. A arte pode provocar, sim â mas quando vira panfleto, perde o ritmo.
Fica a lição: a avenida é do samba, não do palanque. E, desta vez, o julgamento foi implacåvel.