Lula corta a fita, mas quem levantou a ponte foi outro — e o PT ainda quer posar de engenheiro

Lula corta a fita, mas quem levantou a ponte foi outro — e o PT ainda quer posar de engenheiro

Obra entregue como se fosse conquista do governo atual teve 95% concluídos na gestão Bolsonaro, com Tarcísio de Freitas à frente; festa virou vitrine para discurso, selfie e crédito que não lhes pertence

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu em Xambioá (TO) para inaugurar a ponte sobre o Rio Araguaia — aquela mesma que ficou anos em disputa judicial, estourou orçamento e atravessou governos. Mas, claro, o PT não perderia a chance de transformar quase-obra-alheia em espetáculo próprio.

Com sorriso, aceno e discurso ensaiado, Lula celebrou a estrutura como se tivesse levantado cada pilar com as próprias mãos. A cerimônia reuniu prefeitos, governadores, senador, movimentos sociais e toda a plateia necessária para dar a sensação de que ali estava nascendo uma obra “do governo do povo”. O detalhe incômodo? Quase tudo já estava pronto antes dele voltar ao Planalto.

A ponte, que conecta Tocantins e Pará, começou ainda no governo Temer, ganhou ritmo e corpo no governo Bolsonaro, sob gestão técnica de Tarcísio de Freitas no Ministério da Infraestrutura, e chegou a 95% de execução antes de Lula sequer voltar ao cargo. Mas como obra pública não tem dono — e narrativa tem — o palco foi montado, o drone subiu, e o crédito mudou de mãos de maneira milagrosa.

A ponte que Lula entrega, mas não construiu

Com mais de 2 km de extensão, a estrutura finalmente põe fim às longas filas de balsa e aos custos que pesavam no bolso dos moradores. A obra é importante, necessária e simbólica. Mas seria pedir demais que o governo atual reconhecesse quem realmente carregou o projeto nas costas durante os anos mais duros?

Em vez disso, preferiu-se a narrativa heroica: Lula evocou a balsa, o sofrimento do povo, o “direito de ir e vir”, como se o PT tivesse resgatado o Brasil de um deserto logístico — ignorando quem realmente entregou acesso, ritmo e estrutura.

No palanque, gratidão zero

Nem uma linha sobre Tarcísio, que conduziu a obra com seriedade.
Nenhum reconhecimento ao governo Bolsonaro, que deixou a ponte praticamente pronta.
Nenhuma menção ao trabalho técnico do DNIT antes de 2023.

Mas, claro, teve discurso emocionado, pose ao lado da placa e o velho roteiro de “nunca antes na história deste país”.

Enquanto isso, o povo…

O povo da região comemora — e com razão. Não é culpa deles que político trate obra pública como troféu pessoal. A ponte vai mudar vidas, baratear custos, integrar mercados e fortalecer a logística do Norte. O mérito da estrutura é de quem construiu, não de quem cortou a fita.

Lula entregou uma obra importante? Sim.
Lula fez a obra? Não — apenas finalizou o que já estava pronto para servir de vitrine.

Se a ponte fala, provavelmente diria:
“Fui criada em um governo, erguida em outro e inaugurada por quem chegou por último.”

Mas no Brasil, o que vale mesmo não é quem trabalha — é quem aparece na foto.

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