
Lula costura apoios antes de escolher novo ministro do STF
O presidente quer conversar com Bruno Dantas e ministros do Supremo antes de oficializar o nome de Jorge Messias, seu favorito, para a vaga deixada por Barroso.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em clima de articulação política intensa antes de bater o martelo sobre quem ocupará a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). Depois de retornar de Belém, onde participou da abertura da COP 30, Lula sinalizou que pretende conversar com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, e com ministros do Supremo antes de anunciar oficialmente o indicado.
Apesar de Rodrigo Pacheco (presidente do Senado) e o próprio Dantas estarem entre os cotados, fontes próximas ao Planalto afirmam que o advogado-geral da União, Jorge Messias, segue como o preferido do presidente.
⚖️ Um nome forte, mas com resistências
O principal desafio de Lula é o Senado, onde a maioria dos parlamentares demonstra mais simpatia por Pacheco, que já presidiu a Casa por dois mandatos. Há cerca de três semanas, o petista adiou a escolha após conversar com Davi Alcolumbre (União-AP) — uma tentativa de garantir que Messias tenha ambiente político favorável na sabatina.
Ministros próximos a Lula dizem que os próximos encontros do presidente com membros do STF e do Senado servirão mais para “amolecer o terreno” do que para pedir opiniões formais sobre o nome.
🗣️ Bastidores de um jogo delicado
Nos bastidores, Lula tem feito gestos calculados. Em outubro, jantou com Barroso e se reuniu com ministros como Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, além do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. O objetivo é alinhar expectativas e evitar ruídos com o Supremo.
Em Belém, chegou a encontrar Bruno Dantas, mas, segundo relatos, os dois evitaram falar sobre a vaga — uma forma de manter a diplomacia enquanto o nome de Messias ganha força.
🕊️ O “favorito” de Lula
Jorge Messias, conhecido como “Bessias” nos bastidores de Brasília, é visto como um jurista técnico, discreto e fiel ao presidente. Além de sua trajetória na Advocacia-Geral da União, conta com um trunfo simbólico: é evangélico declarado, o que, segundo aliados do Planalto, pode ajudar a equilibrar o perfil ideológico do STF.
O presidente do PT, Edinho Silva, reforçou essa visão:
“Messias é um dos maiores juristas do país, preparado e com capacidade de diálogo. É evangélico, se assume e tem orgulho disso. Isso traz pluralidade ao Supremo”, disse em entrevista à Record News.
🧭 A reta final
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que Lula deve se reunir com Pacheco ainda nesta semana e acredita que a escolha por Messias já está praticamente consolidada:
“Sinceramente, creio que o nome está lançado. Não vejo reversão.”
Enquanto isso, Lula segue em silêncio público — como quem mede cada passo de um tabuleiro político onde qualquer movimento errado pode custar caro.