
Lula critica tarifa de Trump e pede diálogo: “Não se resolve no grito, se resolve na conversa”
Presidente pede que os EUA repensem sobretaxa sobre produtos brasileiros e defende soberania sobre as riquezas minerais do país
Durante a inauguração de uma usina termelétrica no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo direto ao presidente norte-americano Donald Trump: que ele reflita sobre a importância do Brasil e reabra o diálogo para evitar a taxação de 50% sobre os produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos. A medida deve começar a valer já nesta semana.
— Espero que o presidente Trump entenda que países civilizados sentam à mesa para resolver divergências. Não é no grito, nem de forma unilateral, que se resolve uma disputa comercial — afirmou Lula, visivelmente incomodado com a postura adotada por Washington.
A taxa foi anunciada por Trump em uma carta enviada diretamente a Lula e divulgada em sua rede social. Ele ligou a cobrança ao processo judicial que corre contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentar barrar a posse de Lula após a eleição de 2022.
Apesar dos esforços diplomáticos liderados pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, as tentativas de reaproximação com o governo americano não tiveram retorno. Nem mesmo uma contraproposta enviada em maio foi respondida, deixando o Brasil sem margem de manobra com o prazo se aproximando.
🇧🇷 Defesa do que é nosso
Em outro ponto do discurso, Lula reagiu à notícia de que os Estados Unidos demonstraram interesse nos minerais considerados estratégicos do Brasil. O presidente foi direto: se são críticos, então devem estar sob controle brasileiro.
— Se nem nós conhecemos completamente nossas riquezas e eles já estão interessados, é sinal de que temos que cuidar melhor do que é nosso — disse ele.
Lula anunciou a criação de uma comissão especial para fazer um mapeamento completo das riquezas do solo e subsolo do país, garantindo que tanto a pesquisa quanto a exploração desses minerais — usados em alta tecnologia — sejam controladas pelo Estado brasileiro.
— A empresa que quiser explorar, vai ter que conversar com o governo. E não vai poder vender esse patrimônio como se fosse dela. É do povo brasileiro. E é esse povo que tem que colher os frutos — finalizou o presidente, arrancando aplausos da plateia.
Com o impasse diplomático e o silêncio norte-americano, Lula tenta reposicionar o Brasil como um país soberano, que não aceita imposições, mas que está aberto ao diálogo — desde que esse diálogo seja respeitoso e recíproco.