
Lula dispara contra o Centrão: “Não vou implorar apoio nem comprar deputado”
Em tom de desabafo, o presidente criticou a “pequenez” de partidos como União Brasil e PP e deixou claro que não pretende ceder a pressões por cargos para manter alianças.
Em meio à crescente tensão política dentro do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a mirar suas críticas no Centrão. Irritado com as constantes chantagens políticas, Lula afirmou que não vai se ajoelhar para conseguir apoio e muito menos negociar ministérios em troca de votos.
A declaração veio em um momento em que cresce a pressão para que os ministros André Fufuca (Esportes) e Celso Sabino (Turismo) — ambos ligados ao União Brasil — deixem o governo por falta de fidelidade ao Planalto.
Lula não poupou palavras. Chamou de “pequenez política” a postura de legendas como o PP e o União Brasil, que seguem cobrando mais espaço na Esplanada enquanto mantêm alianças ambíguas com a oposição.
“Eu não vou implorar apoio de ninguém. Governo se faz com quem tem grandeza, não com quem quer viver de cargos”, teria dito o presidente a aliados.
Nos bastidores, o recado foi entendido como uma tentativa de reafirmar autonomia e autoridade num momento em que o Planalto tenta equilibrar a governabilidade com a pressão por emendas e nomeações.
Lula, mais uma vez, aposta no discurso de que política não se faz com troca de favores, mas com projetos de país — embora, na prática, o tabuleiro de Brasília continue girando em torno de quem entrega mais cargos e verbas.
Enquanto o Centrão estica a corda, o presidente parece disposto a testá-la até o limite, reforçando: “prefiro perder apoio do que perder o respeito”.