
Fufuca e Sabino viram escudos de Lula no embate com o Centrão
Mesmo sob ameaça de expulsão, ministros se mantêm firmes e reforçam papel estratégico de ponte entre o governo e blocos conservadores do Congresso.
Os ministros André Fufuca (Esporte) e Celso Sabino (Turismo) estão no centro de uma disputa política que vai muito além dos cargos que ocupam. Pressionados por seus partidos — Progressistas (PP) e União Brasil — a deixarem o governo, ambos resistem e se consolidam como peças-chave na estratégia de Luiz Inácio Lula da Silva para manter o diálogo com o Centrão e segurar as pontas da governabilidade.
Mesmo sob risco de expulsão das siglas, Fufuca e Sabino continuam prestigiados pelo Planalto. Para Lula, mantê-los é mais do que um gesto político — é uma forma de mostrar força em meio à tensão entre o Executivo e o Congresso. Sem eles, o governo perderia pontes valiosas com partidos que hoje são decisivos nas votações econômicas e fiscais.
A resistência de Fufuca: entre o partido e a lealdade a Lula
Durante um evento no Maranhão, Fufuca fez questão de deixar claro de que lado está:
“Eu tô com Lula. O Lula do Bolsa Família, do Vale Gás, do Mais Médicos, do Fies, do Prouni. O Lula que mandou recado pros Estados Unidos: respeitem o Brasil”, disse o ministro.
A fala foi interpretada como um desafio direto ao comando do PP, que havia dado prazo para sua saída do governo. Mesmo assim, Fufuca manteve o tom de fidelidade e admitiu ter errado ao apoiar Jair Bolsonaro em 2022 — agora promete trabalhar pela reeleição de Lula em 2026.
Enquanto o presidente do PP, Ciro Nogueira, defende o processo de expulsão, aliados tentam costurar uma saída sem rompimento definitivo com o governo.
Sabino e a corda bamba no União Brasil
No caso de Celso Sabino, o impasse é parecido. Depois de ensaiar uma demissão no fim de setembro, o ministro voltou atrás a pedido de Lula e passou a repetir que “seguirá com o presidente onde quer que esteja”.
O União Brasil reagiu abrindo dois processos disciplinares: um para expulsá-lo da legenda e outro para dissolver o diretório estadual do Pará, presidido por Sabino — o que ameaça seus planos de disputar o Senado em 2026.
Mesmo assim, ele continua representando o governo em eventos, inclusive nas preparações para a COP30, que acontecerá em Belém (PA).