
Lula diz que pode ligar “pessoalmente” para Trump se tarifaço não andar — e repete discurso de urgência diplomática
Após encontro na Malásia, presidente brasileiro ameaça nova ligação ao líder americano caso negociações sobre tarifas não avancem até o fim da COP30, em Belém.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (4) que pretende ligar diretamente para Donald Trump caso o impasse sobre o tarifaço americano contra o Brasil não avance nas próximas semanas. A declaração foi feita em entrevista a uma agência internacional, durante sua passagem por Belém (PA), cidade que sedia a COP30.
O alerta de Lula soa mais como uma pressão política disfarçada de cortesia diplomática. Ele afirmou que, se até o fim da conferência do clima não houver uma reunião entre negociadores dos dois países, pegará o telefone e tratará do assunto “pessoalmente” com o presidente dos Estados Unidos.
“Eu tenho o telefone dele, ele tem o meu. Se não tiver reunião, eu mesmo ligo para o Trump. Não terei problema de ir a Washington, Nova York, ou de recebê-lo aqui no Brasil”, disse Lula, em tom de insistência.
O comentário vem poucos dias após o primeiro encontro entre os dois líderes, realizado na Malásia, onde o clima foi diplomático, mas sem avanços concretos. O tarifaço imposto por Washington — que atinge em cheio produtos brasileiros com taxas de até 50% — continua valendo, e o Planalto ainda não recebeu nenhuma proposta formal de contrapartida dos americanos.
O governo brasileiro espera que as conversas aconteçam nos próximos 15 dias, mas já há pessimismo entre assessores. Com a COP30 mobilizando chefes de Estado e a atenção internacional sobre o meio ambiente, a diplomacia econômica parece ter ficado em segundo plano.
Para tentar reverter o quadro, Lula delegou a missão ao vice-presidente Geraldo Alckmin, ao ministro da Fazenda Fernando Haddad e ao chanceler Mauro Vieira, encarregados de negociar com Washington. Mas, nos bastidores, há a sensação de que o governo americano ainda não sabe exatamente o que quer cobrar do Brasil — e que Lula, mais uma vez, aposta na retórica direta para tentar destravar o impasse.
O problema é que o tom de improviso começa a cansar até dentro do próprio governo. Ligar para Trump pode render manchete, mas não substitui estratégia. E, enquanto o Brasil espera, o tarifaço continua pesando no bolso da indústria nacional — um lembrete amargo de que diplomacia, no fim das contas, se faz com resultados, não com telefonemas.