
Chanceler venezuelano alerta Brasil sobre “ameaça sem precedentes” no Caribe
Yván Gil critica mobilização de navios e submarino nuclear dos EUA e conversa com Mauro Vieira sobre tensão regional
O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, declarou nesta quarta-feira (27) que manteve contato telefônico com o chanceler brasileiro Mauro Vieira para discutir a crescente presença militar dos Estados Unidos no Caribe.
Em suas redes sociais, Gil classificou a movimentação de embarcações de guerra e de um submarino nuclear como uma violação da “Zona de Paz” criada pela Celac em 2014 e do histórico Tratado de Tlatelolco de 1967, que mantém a América Latina e o Caribe livres de armas nucleares. Para o chanceler venezuelano, trata-se de “uma ameaça nunca antes vista” na região.
Durante a conversa, Yván Gil afirmou que os dois governos concordaram que essas ações hostis devem cessar imediatamente. Além disso, ele comentou que Mauro Vieira compartilhou detalhes sobre medidas tarifárias impostas pelo governo Trump aos produtos brasileiros, classificando-as como “agressão injustificada que prejudica o espírito de paz”.
Segundo informações da agência Reuters, os EUA enviaram navios de guerra adicionais para o sul do Caribe como parte de esforços do presidente Donald Trump para combater cartéis de drogas. Entre eles estão o USS Lake Erie, cruzador de mísseis guiados, e o USS Newport News, submarino nuclear de ataque rápido, programados para chegar à região no início da próxima semana.
Fontes anônimas informaram que a operação visa enfrentar ameaças à segurança nacional dos EUA vindas de organizações narcoterroristas na América Latina, mas não detalharam a missão específica das embarcações.
A movimentação evidencia a escalada de tensão militar na região, enquanto Venezuela e Brasil buscam mecanismos diplomáticos para conter o avanço das forças estrangeiras.