
Lula e Trump se falam por videoconferência em meio ao “tarifaço”
Conversa entre os presidentes ocorre após tensão comercial; Haddad chama diálogo de “positivo”, e encontro presencial pode acontecer nas próximas semanas
Depois de dias de expectativa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) finalmente conversou por videoconferência, nesta segunda-feira (6), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para discutir o chamado tarifaço — o aumento de até 50% nas tarifas sobre produtos brasileiros exportados aos EUA.
A reunião aconteceu no Palácio da Alvorada e contou com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e do chanceler Mauro Vieira. Segundo Haddad, o governo divulgará uma nota oficial com os detalhes do diálogo, mas adiantou que o encontro foi “positivo” do ponto de vista econômico.
O contato entre os dois líderes vinha sendo aguardado desde a semana passada, após o discurso de Trump na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Inicialmente, o governo brasileiro esperava uma ligação até sexta-feira (3), mas o compromisso acabou sendo adiado por conflitos nas agendas dos dois presidentes.
Mesmo com a videoconferência, não está descartado um encontro presencial entre Lula e Trump. Ambos devem participar de eventos internacionais ainda neste mês — um da FAO, em Roma, no dia 13, e outro da Asean, em Kuala Lumpur, no dia 23.
Durante a Assembleia-Geral da ONU, os dois chegaram a se cruzar rapidamente nos bastidores. Na ocasião, Trump comentou que os dois tiveram uma “excelente química”, ainda que por apenas “39 segundos”, e afirmou: “Ele gostou de mim, eu gostei dele. E eu só faço negócios com pessoas de quem gosto.”
O Palácio do Planalto avalia que a conversa desta segunda serviu para abrir uma nova fase de diálogo entre Brasil e Estados Unidos, em meio ao impasse comercial que ameaça setores importantes da economia brasileira.
Enquanto isso, Lula tenta equilibrar diplomacia e firmeza — buscando proteger os interesses do país sem romper as pontes com Washington. Afinal, em política internacional, até mesmo os “abraços de 20 segundos” podem ter peso estratégico.