
Deputado Renato Freitas vira alvo de novo pedido de cassação após protesto em supermercado
Parlamentares acusam petista de abuso de prerrogativas ao interromper atendimento em mercado durante ato contra morte de jovem negro espancado por seguranças
O deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) está no centro de mais uma controvérsia. Desta vez, parlamentares e vereadores do Paraná pedem a cassação do seu mandato após ele participar de um protesto dentro de um supermercado em Curitiba, na última quarta-feira (25). O ato foi realizado em resposta à morte de Rodrigo da Silva Boschen, de 22 anos, espancado por quatro homens — dois deles, funcionários do mercado — após ser acusado de furto.
Freitas, megafone em mãos, discursou por cerca de 15 minutos dentro da loja, junto a manifestantes que bloquearam os caixas do estabelecimento, impedindo a finalização de compras pelos clientes. A cena dividiu opiniões e provocou forte reação política.
“Não estamos aqui por marketing ou por eleição. Estamos aqui porque há um corpo no chão, há sangue nesse produto, há uma mãe de luto nessa fila”, declarou o deputado durante o protesto, chamando atenção para o racismo e a violência que, segundo ele, seguem naturalizados na sociedade.
A resposta veio rápida. Os deputados estaduais Ricardo Arruda (PL) e Tito Barichello (União Brasil), junto com os vereadores curitibanos Bruno Secco (PMB) e Guilherme Klamas Kilter (Novo), apresentaram representações formais à presidência da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), pedindo a cassação de Freitas por quebra de decoro parlamentar.
Tito Barichello afirmou que o ato liderado por Freitas “evidencia o uso abusivo e repetido das prerrogativas parlamentares, incompatíveis com a seriedade do cargo que ocupa”. Já Bruno Secco alegou que, embora o protesto tenha como pano de fundo um tema sensível, “o deputado ultrapassou os limites do razoável, constrangendo clientes, trabalhadores e demais cidadãos que nada têm a ver com o ocorrido”.
A Polícia Civil do Paraná segue investigando a morte de Rodrigo Boschen, cujo corpo foi encontrado abandonado a poucos metros do mercado. O caso tem gerado grande comoção e reacendido debates sobre segurança privada, racismo e justiça.
Freitas, que cumpre seu primeiro mandato como deputado estadual, já foi alvo de outras polêmicas em sua trajetória política, quase sempre ligadas à sua atuação combativa em pautas sociais e raciais.