
Lula elogia Marina e reforça compromisso com agro sustentável, mesmo sob pressão política
Em meio a derrotas ambientais no Congresso e controvérsias sobre o petróleo na Amazônia, presidente destaca papel de Marina Silva como ponte entre preservação e produção rural
Durante o lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar 2025/2026, nesta terça-feira (1º/7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez questão de reconhecer publicamente o trabalho da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, elogiando sua postura firme na busca por um agronegócio mais sustentável no Brasil.
Com um tom de respeito e admiração, Lula relembrou uma fala de Marina que teria marcado sua decisão de permanecer no governo: “Presidente, quero ser ministra para fazer as coisas do jeito certo — sem facilitar tudo, mas também sem travar o que precisa ser feito”, disse ela, segundo relato do presidente.
Esse gesto de apoio acontece num momento delicado para Marina. Nos últimos meses, várias propostas ambientais que ela defende têm sido barradas ou desmontadas no Congresso Nacional. Entre elas está o chamado “PL da Devastação”, que flexibiliza regras de licenciamento ambiental e foi aprovado no Senado. Marina tem criticado duramente a medida, afirmando que ela ameaça décadas de avanços na legislação ambiental brasileira.
Outro ponto de tensão envolve a exploração de petróleo na Margem Equatorial, região que inclui a bacia da Foz do Amazonas. Marina, que sempre se posicionou contra a exploração, agora insiste que o processo de licenciamento está sendo conduzido de forma técnica pelo Ibama, e que qualquer decisão deve respeitar critérios ambientais rigorosos.
No mesmo evento, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou a importância do equilíbrio entre produção e sustentabilidade. Ele destacou que a atuação conjunta entre os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura já tem provocado uma queda expressiva no desmatamento tanto da Amazônia quanto do Cerrado. Segundo Haddad, esse esforço ambiental também representa um diferencial competitivo para o Brasil, pois evita que países concorrentes usem a pauta ecológica como desculpa para bloquear nossos produtos.
Apesar das derrotas legislativas, Lula tenta mostrar que sua gestão ainda aposta numa transição verde — com Marina Silva como uma das vozes mais firmes nessa travessia.