
Lula elogia o STF como “guardião da Constituição” — guardião de quê, exatamente?
Presidente diz que a Corte não buscou protagonismo, enquanto o país assiste a crises, suspeitas e decisões cada vez mais “convenientes”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apareceu nesta segunda-feira (2) na abertura do Ano Judiciário de 2026, no Supremo Tribunal Federal, e resolveu fazer um discurso daqueles bem ensaiados: cheio de palavras bonitas, pose de estadista e aquela velha tentativa de vender que está tudo sob controle.
Segundo Lula, o Judiciário tem sido “guardião da Constituição” e o STF, veja só, “não buscou protagonismo” nem teria tomado atribuições de outros Poderes.
É… claro.
E eu sou um astronauta aposentado.
O STF não buscou protagonismo… ele só virou o centro do país
Lula afirmou que o STF apenas agiu dentro de suas competências institucionais, principalmente depois do 8 de janeiro, e que a condenação dos envolvidos na trama golpista deixou uma “mensagem clara”:
👉 quem tentar romper a democracia será punido com rigor.
Na teoria, o recado parece firme.
Na prática, o problema é o detalhe que o discurso finge que não existe:
📌 o STF hoje não é só árbitro — virou jogador, técnico e dono do apito ao mesmo tempo.
E Lula, claro, aplaude. Porque, convenhamos: guardião bom é guardião que protege “os dele”.
A democracia, segundo Lula, está “em construção”… mas o controle também
No trecho mais dramático, Lula disse que o Brasil estava “profundamente ferido” em 2023 e que a democracia não é uma fortaleza invulnerável, exigindo “compromisso e coragem”.
Bonito, emocionante, quase um poema.
Só faltou dizer que, no Brasil de hoje, a democracia está em construção…
mas o silêncio forçado, o medo de falar e o poder sem freio parecem estar em reforma acelerada.
Enquanto Lula elogia, o STF tenta apagar incêndio com o “caso Master”
O discurso ocorreu no meio de um cenário que, no mínimo, deveria pedir menos celebração e mais explicação: a crise envolvendo o caso Master, que vem gerando desgaste e questionamentos dentro e fora da Corte.
Antes de Lula falar, o presidente do STF, Edson Fachin, admitiu que o momento exige “autocorreção” e defendeu a criação de um Código de Conduta para magistrados.
Ou seja: quando até o próprio STF fala em “autocorreção”, é porque a coisa passou do ponto.
E Fachin ainda cravou que críticas da sociedade não são ameaça à democracia — o que é ótimo, porque ultimamente muita gente tem sido tratada como criminosa só por fazer perguntas óbvias.
O caso Toffoli e o “resort da confiança”: coincidências demais, transparência de menos
A crise ficou ainda maior com os questionamentos sobre decisões do ministro Dias Toffoli no caso Master.
O que chamou atenção, segundo a própria reportagem, foi uma sequência de episódios que parecem roteiro de série ruim:
- viagem de jatinho com advogado ligado ao banco
- sigilo elevado no processo
- decisão incomum mandando acareação com dirigente do Banco Central (que nem investigado era)
- e depois… recuo
Tudo muito “natural”.
Daquelas coincidências que só acontecem quando o poder já se acostumou a não dar satisfação.
E aí entra a pergunta que não quer calar:
📌 cadê o “guardião da Constituição” nessa hora?
📌 guardião do povo… ou guardião de bastidor?
Lula diz que o STF não pegou atribuições… mas o país vê o contrário
Lula insiste que o STF não tomou atribuições dos outros Poderes.
Mas o brasileiro médio olha ao redor e vê:
- decisões que moldam política
- regras que mudam o debate público
- punições e censuras sendo normalizadas
- e um Judiciário cada vez mais confortável no centro do palco
Se isso não é protagonismo, então é o quê?
“Participação especial”?
O “código de conduta” no STF: quando o problema vira grande demais pra fingir que não existe
Fachin ainda agradeceu a ministra Cármen Lúcia por assumir a relatoria da proposta de Código de Ética e disse que pretende caminhar para um consenso.
Nos bastidores, porém, a resistência existe. Parte da Corte acha desnecessário, outros dizem que não há clima para votar isso em ano eleitoral.
Traduzindo:
quando convém, é urgente. Quando aperta, “precisa conversar mais”.
E no fim, Lula aplaude o sistema — porque é confortável pra ele
O discurso de Lula no STF não é exatamente uma defesa da Constituição.
É uma defesa do arranjo que mantém tudo do jeito que está:
- o STF forte
- o Congresso domesticado
- a crítica vigiada
- e o governo sorrindo no palanque
Então quando Lula diz que o Judiciário é guardião da Constituição, dá vontade de completar:
guardião, sim… mas do condomínio deles.
Do cidadão comum, sobra só a conta — e o aviso: “cuidado com o que você fala”.