Lula entra no jogo da ONU e aposta em Bachelet para comandar a organização

Lula entra no jogo da ONU e aposta em Bachelet para comandar a organização

Brasil declara apoio à ex-presidente do Chile e reforça discurso por uma mulher no comando, enquanto a disputa internacional já começa a azedar

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta segunda-feira (2) que o Brasil vai apoiar a candidatura da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, para assumir o cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

O nome de Bachelet foi lançado oficialmente pelo presidente chileno Gustavo Boric, e a candidatura já nasce com um “time” de peso no discurso: Chile, México e Brasil juntos no apoio.

Nas redes sociais, Lula fez questão de reforçar o tom simbólico do movimento e escreveu que o Brasil apoia Bachelet com honra, destacando que, depois de oito décadas de história, já passou da hora de a ONU finalmente ser comandada por uma mulher.

A ideia era união… mas a América Latina já começou dividida

O plano, na teoria, parecia bonito: o Brasil havia defendido no ano passado, durante a Cúpula da Celac, que a América Latina se unisse em torno de uma candidata mulher, com força política suficiente para ocupar o posto em 2027.

Só que a realidade — como sempre — não demorou a estragar o “sonho de unidade”.

A primeira rachadura veio da Argentina: o presidente Javier Milei lançou outro nome para a disputa, o diplomata Rafael Grossi, que atualmente dirige a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Ou seja: antes mesmo de a candidatura ganhar corpo, a região já mostrou que unidade por aqui dura menos que promessa de campanha.

E os EUA já dão sinais de que podem tentar mudar o roteiro

Tradicionalmente, a liderança da ONU segue uma espécie de alternância entre regiões, e o mandato de 2027 seria da América Latina.

Mas nem tudo depende só de tradição — ainda mais quando existe pressão de bastidor.

O texto lembra que há sinais de que o governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, pode tentar empurrar outra candidatura caso não goste dos nomes latino-americanos.

A vice-embaixadora americana na ONU, Dorothy Shea, já tinha soltado o recado em outubro: segundo ela, o processo deveria ser baseado “puramente no mérito”, com o maior número possível de candidatos — inclusive de outras regiões.

Tradução sem diplomacia:
se não for do jeito que Washington quer, Washington tenta mudar o jogo.

Bachelet aparece como a mais “pronta” entre os nomes cotados

Entre os possíveis nomes femininos para a disputa, Michelle Bachelet surge como uma das figuras mais experientes no cenário internacional.

Ela já comandou estruturas importantes dentro do sistema da ONU, incluindo a direção da ONU Mulheres e, depois, do Alto Comissariado das Nações Unidas — o que dá a ela uma bagagem que poucos concorrentes conseguem apresentar.

Agora, com Lula entrando oficialmente no apoio, a candidatura ganha peso político e também vira uma mensagem clara: o Brasil quer influenciar a sucessão e marcar posição na disputa global.

E claro… com aquele toque clássico de Lula: discurso bonito, simbolismo forte e a certeza de que política internacional também é palco.

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