Lula embarca para Honduras com proposta de união latino-americana e protagonismo feminino na ONU

Lula embarca para Honduras com proposta de união latino-americana e protagonismo feminino na ONU

Presidente participa da Cúpula da Celac e defenderá uma candidatura única — de preferência feminina — para comandar a ONU a partir de 2026, além de reforçar pautas como clima, imigração e integração regional.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai embarcar na próxima terça-feira (8) rumo a Tegucigalpa, capital de Honduras, para participar da 9ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Celac — a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos. O encontro reúne líderes dos 33 países da região e terá como foco questões centrais como integração regional, segurança, migração, mudanças climáticas e o combate à fome.

Durante o evento, Lula vai propor uma ideia ambiciosa: que a Celac lance uma candidatura única à secretaria-geral da ONU, cuja sucessão acontece no ano que vem com o fim do mandato de António Guterres. E mais — o petista quer que a indicação seja de uma mulher, numa tentativa de promover mais representatividade na principal instituição multilateral do planeta.

Além da plenária da cúpula, o presidente brasileiro também deve ter reuniões bilaterais com outros líderes. O encontro marcará a passagem da presidência temporária da Celac de Honduras para a Colômbia. Vale lembrar que Lula foi o primeiro presidente brasileiro a visitar Honduras, ainda em 2007, durante seu segundo mandato.

Desde que reassumiu a presidência em 2023, Lula tem apostado no fortalecimento dos laços regionais como uma das prioridades de sua política externa. A volta do Brasil à Celac, logo nos primeiros dias de governo, simbolizou esse reposicionamento — revertendo a decisão de Jair Bolsonaro, que retirou o país do grupo em 2020 sob o argumento de que o bloco abrigava regimes autoritários.

Lula não é estranho à Celac. Ele foi uma das vozes centrais na articulação do grupo em seus primeiros anos, ainda em 2008, e participou do encontro inaugural dos chefes de Estado, realizado na Bahia. Hoje, a Celac representa mais de 670 milhões de pessoas em um território de 22 milhões de quilômetros quadrados.

Segundo o Itamaraty, a questão migratória também será pauta importante do encontro. A ideia é reativar um grupo de trabalho específico sobre o tema, já que os fluxos migratórios — de entrada e saída — impactam fortemente todos os países da região, como explicou a embaixadora Daniela Benjamin, diretora do Departamento de Integração Regional.

Lula também pretende propor uma declaração conjunta da Celac em defesa das mulheres, da paz e da segurança. E antes que o ano acabe, o bloco ainda deve promover fóruns de cooperação com grandes potências globais, como a União Europeia e a China.

Com isso, o governo brasileiro tenta não só recuperar o protagonismo internacional, mas também costurar uma frente latino-americana mais unificada diante dos desafios globais.

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