Lula encerra discurso na ONU homenageando Mujica e Papa Francisco

Lula encerra discurso na ONU homenageando Mujica e Papa Francisco

Presidente brasileiro defende diálogo, cooperação e lembra líderes que deixaram legado humanista

Na reta final de sua fala na 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, nesta terça-feira (23/9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma pausa para homenagear duas figuras que marcaram o século 21: o ex-presidente uruguaio José “Pepe” Mujica e o papa Francisco, ambos falecidos neste ano.

“Este ano, o mundo perdeu duas personalidades excepcionais: Pepe Mujica e o papa Francisco. Ambos personificaram os melhores valores humanistas e suas vidas caminharam lado a lado com as oito décadas de existência da ONU”, declarou Lula, lembrando que, se estivessem presentes, reforçariam a luta contra o autoritarismo, a desigualdade e a degradação ambiental.

O presidente também aproveitou para transformar as lições deixadas por Mujica e Francisco em um chamado à ação: “Eles nos lembrariam que o autoritarismo, a degradação ambiental e a desigualdade não são inevitáveis; que apenas aqueles que cruzam os braços estão derrotados; que podemos enfrentar os falsos profetas e oligarcas que lucram com o medo; e que o futuro se constrói com escolhas diárias e coragem para agir”.

Lula reafirmou que o Brasil defende uma ordem mundial baseada no diálogo e na cooperação, rejeitando a lógica de blocos antagônicos. “No futuro que vislumbramos, não há espaço para rivalidades ideológicas ou esferas de influência. Confrontos não são inevitáveis. Precisamos de lideranças com visão clara, que compreendam que a ordem internacional não é um ‘jogo de soma zero’”.

O presidente destacou ainda a importância de um mundo multipolar e multilateral: “O século 21 será cada vez mais multipolar. Para manter a paz, é fundamental o multilateralismo. O Brasil valoriza cada vez mais a União Europeia, a União Africana, a ASEAN, a CELAC, os BRICS e o G20. A voz do Sul Global precisa ser ouvida”.

Por fim, Lula reforçou a necessidade de revitalizar a ONU, que hoje conta com quase quatro vezes mais membros do que os 51 países fundadores. “Nossa missão é fazer da ONU novamente um farol de esperança, promotora da igualdade, da paz, do desenvolvimento sustentável, da diversidade e da tolerância”, concluiu.

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