A esquerda vai às ruas — mas só quando convém

A esquerda vai às ruas — mas só quando convém

Enquanto o Brasil afunda, militância escolhe protesto seletivo e ignora os problemas reais do país

Neste domingo, manifestações tomaram as ruas de várias cidades brasileiras contra o chamado PL da Dosimetria. Bandeiras erguidas, palavras de ordem ensaiadas, cartazes bem impressos. Tudo muito organizado. Tudo muito indignado. Pelo menos no discurso.

O curioso é que essa mesma energia raramente aparece quando o assunto é o Brasil real: rombo nas contas públicas, déficit crescente, serviços sucateados, corrupção institucionalizada e um país cada vez mais caro para quem trabalha e paga imposto.

Os atos foram puxados por movimentos sociais, sindicatos e entidades estudantis — a velha engrenagem da militância de esquerda — em capitais como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Em Copacabana, teve até “ato musical”, como se o país estivesse em clima de festival, não de colapso econômico.

Na capital federal, manifestantes marcharam rumo ao Congresso com gritos de “sem anistia” e acusações de que o Parlamento age contra o povo. Ironia pura: muitos dos que hoje se dizem defensores da moral institucional já se beneficiaram de anistias no passado e jamais protestaram contra privilégios quando estavam do lado certo do balcão.

A narrativa é conhecida. Quando a pauta é ideológica, a rua vira palco. Quando o tema envolve inflação, insegurança, corrupção, INSS quebrado ou empresas públicas falindo, o silêncio é ensurdecedor. Parece que fome, violência e caos fiscal não rendem likes nem discursos heroicos.

O projeto criticado altera critérios de dosimetria de penas para crimes contra o Estado Democrático de Direito. Mas o debate jurídico virou apenas pretexto para mais um espetáculo político. Não há preocupação real com justiça ou equilíbrio institucional — há disputa de narrativa e cálculo eleitoral.

Enquanto isso, o Brasil segue sangrando. A dívida cresce, o custo de vida dispara, o cidadão comum perde poder de compra e confiança no futuro. Mas nada disso parece suficiente para tirar certos grupos da zona de conforto ideológico.

A esquerda grita muito, mas escuta pouco. Protesta bastante, mas só quando interessa. E assim, entre discursos inflamados e atos coreografados, o país continua afundando — sem plateia, sem música e sem solução.

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