Lula Entra em Cadeia Nacional Para Vender a “Nova Justiça Tributária” — Enquanto Lira Acompanha de Camarote

Lula Entra em Cadeia Nacional Para Vender a “Nova Justiça Tributária” — Enquanto Lira Acompanha de Camarote

Anúncio da isenção do IR até R$ 5 mil vira vitrine eleitoral antecipada, embalado como presente ao povo, mas cercado de manobra política e muita conveniência

O governo Lula decidiu que este domingo será de espetáculo em rede nacional. E não é para falar de enchentes, hospital colapsado ou crise econômica — é para anunciar, com pompa e circunstância, a tão prometida isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Uma promessa de 2022 que agora reaparece, estrategicamente, às portas de 2026. Coincidência? Só se for a mesma coincidência que faz deputado aprovar projeto pensando sempre no próprio futuro — não é, Arthur Lira?

Lula gravou na sexta-feira seu pronunciamento de pouco mais de seis minutos, polido, alinhado, ensaiado. A ideia é clara: empacotar a medida como um gesto de alívio ao bolso do trabalhador e de “justiça tributária”. Algo como: “Olha, entregamos o que prometemos, tá vendo? Agora lembra disso na urna.”

Só que o cenário político em volta conta outra história. A ausência dos presidentes da Câmara e do Senado na cerimônia de sanção da lei não passou despercebida. Foi quase um recado silencioso — daqueles bem barulhentos — de que o clima entre o Planalto e o Congresso anda mais tenso que sessão de votação com Lira olhando feio.

Dentro do governo, há um esforço enorme para associar a medida a uma narrativa de correção de injustiças. E, empacotado junto, vem o tal “Taxação BBB”: bilionários, bancos e apostas. Um slogan perfeito para quem quer posar como defensor do povo sem desagradar demais a elite — ou pelo menos tentando não desagradar tanto.

A nova tabela do IR ficou assim:
– Até R$ 5 mil por mês, isenção total.
– Entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350, um desconto automático na fonte.
– Acima de R$ 600 mil anuais, uma alíquota mínima efetiva de até 10%, considerando tudo o que entra no bolso: salário, aluguel, dividendos, investimentos.

É uma reforminha arrumada para parecer revolução. Um remendo tributário com cheiro de campanha — aquele perfume que todo mundo reconhece quando chega perto de ano eleitoral.

E, claro, o governo faz questão de lembrar que a tabela estava congelada há quase uma década, que o trabalhador pagava mais sem ganhar mais e que agora tudo será “mais justo”. É o discurso de 2022 reaproveitado como se fosse novidade — embalado, reeditado, com trilha de esperança ao fundo.

Um detalhe irônico: enquanto Lula tenta turbinar sua imagem como “o presidente que alivia o bolso do povo”, quem também anda afinando discurso é Arthur Lira, sempre pronto para surfar qualquer onda que dê voto. Seja com projetos, recados indiretos ou aquele jeitinho de quem nunca está fora do jogo.

No fim das contas, o que veremos no domingo não é apenas um anúncio econômico. É uma peça de campanha disfarçada de prestação de contas — com Lula narrando justiça tributária, Lira posando de articulador e o povo, como sempre, no papel de plateia.

Se vai funcionar? Só 2026 dirá. Mas que é um show cuidadosamente ensaiado, isso é. E todo mundo lá em Brasília sabe dançar essa coreografia de olhos fechados.

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