
Indulto de Natal de Lula repete o roteiro de sempre
Presidente exclui condenados do 8 de Janeiro, mas discurso antigo volta à tona: criminoso como “vítima da sociedade”
Não foi surpresa. Lula assinou o decreto do Indulto de Natal de 2025 e, mais uma vez, o resultado foi exatamente o que muitos já esperavam. O texto concede perdão de pena a presos que se enquadram em critérios específicos, mas exclui os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, além de figuras ligadas à chamada “trama golpista”, como o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O decreto foi publicado no Diário Oficial da União e segue as diretrizes do Ministério da Justiça. Oficialmente, o governo afirma que a medida respeita a Constituição e critérios humanitários. Na prática, porém, reforça um discurso já conhecido do presidente: mão dura contra adversários políticos e um olhar sempre complacente quando o assunto é criminalidade comum.
Lula e seu governo insistem em um discurso que já virou marca registrada. Em diversas falas ao longo dos anos, o presidente relativizou crimes, tratou traficantes como vítimas do usuário de drogas e chegou a afirmar que o criminoso “rouba para sobreviver” ou “para ter um dinheirinho”. Agora, o decreto de indulto parece caminhar na mesma lógica.
Enquanto condenados por crimes graves contra o Estado são mantidos fora do benefício, o governo amplia o alcance do indulto para diferentes grupos, incluindo detentos em situação de vulnerabilidade, idosos, gestantes, pessoas com doenças graves e presos com deficiência. No papel, tudo soa humano. No discurso político, porém, a seletividade salta aos olhos.
Mais uma vez, Lula deixa claro que não aceita qualquer debate sobre anistia para os atos de 8 de janeiro, bandeira defendida por setores da direita. Ao mesmo tempo, sinaliza que seguirá vetando propostas que reduzam penas desses condenados, mesmo quando aprovadas pelo Congresso.
O resultado final é um velho conhecido dos brasileiros: um governo que fala em justiça social, mas relativiza o crime; que prega humanidade, mas escolhe quem merece compaixão; que condena adversários com rigor, enquanto suaviza o discurso quando o criminoso se encaixa na narrativa ideológica.
No fim das contas, o Indulto de Natal de 2025 não traz novidade. Apenas confirma o que Lula sempre disse — e sempre fez. Para alguns, a lei é dura. Para outros, é compreensiva. E assim segue o jogo.