Lula exalta parceria com a China e expõe disputa silenciosa por minerais estratégicos

Lula exalta parceria com a China e expõe disputa silenciosa por minerais estratégicos

Ao lado do embaixador chinês, presidente diz que países travam uma “guerra discreta” para impedir que terras raras cheguem a Pequim

Durante um evento de celebração dos 46 anos do PT, em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a relação do Brasil com a China e deixou claro que o tema vai muito além da diplomacia protocolar. Diante do embaixador chinês no Brasil, Zhu Qingqiao, Lula classificou a parceria entre os dois países como bem-sucedida e baseada no respeito mútuo — algo que, segundo ele, anda em falta no cenário internacional.

Lula fez questão de destacar sua gratidão pela relação construída ao longo dos anos. Disse que o vínculo entre Brasil e China não é apenas comercial, mas estratégico, e que se sustenta justamente por não ser uma relação de subordinação.

Mas o tom amistoso deu lugar à franqueza quando o assunto passou a ser a corrida global por terras raras e minerais críticos. O presidente afirmou que existe uma disputa nos bastidores, travada principalmente por países ocidentais, para impedir que esses recursos estratégicos sejam vendidos à China.

Segundo Lula, essa movimentação não é declarada abertamente, mas acontece em reuniões, acordos e pressões diplomáticas. Uma “briga escondida”, como ele próprio definiu, em que o alvo é sempre o mesmo: conter a influência chinesa no acesso a matérias-primas essenciais para tecnologia, energia e defesa.

A fala ocorre poucos dias após os Estados Unidos anunciarem uma nova aliança comercial sobre minerais críticos, proposta pelo presidente Donald Trump. Nos bastidores do governo brasileiro, a tendência é de cautela — ou até de recusa — em aderir ao pacto. A avaliação é de que a proposta americana limita a autonomia do Brasil e contraria a política externa de diálogo amplo com diferentes parceiros.

O Planalto prefere negociar caso a caso, de forma bilateral, mantendo portas abertas tanto para os EUA quanto para a China. Para o governo, entrar em blocos que já nascem com um lado definido significa abdicar de margem de manobra num tabuleiro global cada vez mais tensionado.

No discurso, Lula deixou claro que, para o Brasil, soberania também passa por escolher com quem negociar — sem aceitar imposições disfarçadas de cooperação.

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