
Lula fala em vetar anistia a Bolsonaro, mas esquece que só está solto graças a Fachin
Presidente posa de guardião da lei, mas foi condenado em todas as instâncias e salvo por decisão política do STF
Em entrevista à BBC, Lula disse nesta quarta-feira (17) que vetaria qualquer projeto que concedesse anistia a Jair Bolsonaro. Com aquele tom de quem se vê acima da moral, disparou: “Se viesse pra eu vetar, pode ficar certo de que eu vetaria”.
Ironicamente, o mesmo Lula que hoje se apresenta como defensor da justiça foi condenado em todas as instâncias possíveis por corrupção e lavagem de dinheiro. Não fosse a canetada “mágica” do ministro Edson Fachin, que anulou os processos, ele jamais teria voltado ao Planalto. Ou seja: quem fala em punir “os erros dos outros” deveria, no mínimo, lembrar do próprio histórico.
Sobre Bolsonaro, Lula disse que não comemorou a decisão do STF e que “preferia que ele não tivesse cometido crimes”. Um discurso pronto, que soa mais como encenação do que como convicção. Difícil não notar a ironia: o homem que virou símbolo da impunidade agora se coloca como juiz moral da República.
E, como se não bastasse, Lula ainda comentou a relação com Donald Trump. Disse que não pretende ligar para o norte-americano, já que este “não quer conversar”, mas garantiu que, se cruzar com ele em Nova York, vai cumprimentá-lo, afinal, é um “cidadão civilizado”. Pois é… civilizado, mas sempre pronto a reescrever a própria história como se fosse um herói da democracia.