
Lula festeja saída do Brasil do Mapa da Fome, mas esquece dos aposentados que ele mesmo empurrou pro mapa da miséria
Enquanto comemora reconhecimento da ONU, governo ignora fila de injustiças no INSS e o drama de milhares de brasileiros que mal conseguem pôr comida no prato.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou as redes sociais nesta segunda-feira (28) para se parabenizar — e parabenizar o governo — pela saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU. Segundo ele, trata-se de uma “conquista histórica” fruto de políticas públicas “sérias” e do “compromisso com o povo”.
De fato, o relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) revelou que menos de 2,5% da população brasileira está em risco de subnutrição, o que retira o país da lista dos que enfrentam insegurança alimentar grave. Mas, enquanto Lula posa de herói da nutrição internacional, há uma fatia da população que mal tem o que comer — e não é por falta de aviso.
A mesma gestão que comemora o feito na ONU é aquela que mantém milhares de aposentados e pensionistas sofrendo com a lentidão do INSS, cortes injustificados de benefícios e filas intermináveis. Gente que trabalhou a vida toda e agora depende da boa vontade de um sistema emperrado e desumano. Sem aposentadoria, sem salário, sem comida.
“Estamos mostrando que é possível combater a fome com políticas públicas sérias”, disse Lula. Mas será que os idosos que têm recorrido a cestas básicas e vaquinhas online para sobreviver concordam com essa narrativa?
📉 Dados que alimentam manchetes (mas não o povo)
O Brasil, que já havia deixado o mapa da fome em 2014, voltou à lista entre 2018 e 2020, e agora, com a média dos dados de 2022 a 2024, volta a sair. Ou seja: é mais uma vez o país do entra-e-sai.
O relatório da ONU reconhece avanços importantes na América Latina, com queda da fome em vários países, e o Brasil acompanhou essa tendência. No papel, são boas notícias. Na prática, os números não contam tudo. Não mostram, por exemplo, o desespero de famílias que esperam há mais de um ano a análise de um auxílio-doença ou de uma aposentadoria.
🌍 Mundo em alerta, Brasil em festa?
Enquanto Lula celebra, o mundo ainda enfrenta crises alimentares sérias. A fome aumentou em regiões como a África e o Oriente Médio, com destaque para tragédias como a vivida na Faixa de Gaza. Globalmente, estima-se que entre 673 e 720 milhões de pessoas passaram fome em 2024.
O Brasil pode até ter saído da lista vermelha da ONU, mas ainda há muita gente dentro das estatísticas invisíveis — aquelas que o marketing político não gosta de mostrar. Porque sair do mapa da fome é ótimo. Só não vale empurrar outros para o mapa da humilhação.
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