
Lula gera repúdio ao associar exame de próstata a comentários sobre mulheres: “homem não gosta de tomar toque”
Em Belém, presidente falou sobre a resistência masculina ao exame de próstata e afirmou que mulheres aprendem a “tomar toque” desde pequenas; declaração provoca críticas pelo tom considerado inadequado e desrespeitoso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a provocar repercussão ao abordar publicamente a resistência de homens ao exame de próstata. Durante agenda em Belém, no Pará, Lula afirmou que “homem não gosta de tomar toque” ao defender a realização de exames preventivos e o acesso da população a consultas e diagnósticos.
Na sequência, segundo relatos publicados sobre o discurso, o presidente também afirmou que “mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”, fazendo uma associação entre a rotina de exames ginecológicos e o exame utilizado para avaliar a próstata.
A declaração provocou repúdio e críticas, especialmente pela forma escolhida para tratar de um assunto relacionado à saúde masculina e feminina. A expressão utilizada por Lula foi considerada por críticos inadequada para um presidente da República, principalmente ao estabelecer uma comparação envolvendo o corpo das mulheres.
O episódio ganhou ainda mais repercussão diante da interpretação de que a fala poderia ser entendida como uma tentativa de normalizar, por meio de uma comparação considerada infeliz, uma expressão relacionada à violência física contra mulheres. Não se deve confundir a realização de exames médicos, feitos por profissionais de saúde com finalidade preventiva ou diagnóstica, com qualquer forma de agressão ou violência.
A fala ocorreu durante uma agenda de Lula em Belém, onde o presidente também tratou da ampliação do acesso da população a exames modernos, diagnósticos mais rápidos e consultas com especialistas pela rede pública.
O ponto mais controverso da declaração
O trecho envolvendo as mulheres passou a ser o principal alvo das críticas porque Lula utilizou a expressão “tomar toque” para estabelecer uma comparação entre experiências médicas. O problema, segundo os críticos da declaração, está justamente na escolha das palavras e na associação feita durante um discurso público.
A discussão sobre a prevenção do câncer de próstata é legítima e envolve a necessidade de ampliar a informação sobre saúde masculina. Entretanto, uma campanha de conscientização pode ser feita sem recorrer a comparações que possam ser interpretadas como banalização de agressões contra mulheres.
Também é importante separar o conteúdo médico da controvérsia política. O exame e o acompanhamento preventivo da saúde da próstata são temas de saúde pública, enquanto a repercussão da fala de Lula está relacionada à maneira como o presidente escolheu abordar o assunto.
Repercussão política
A declaração ocorre na reta final da campanha eleitoral de 2026, período em que Lula intensifica sua agenda pública. Em Belém, o presidente participou de atos políticos e apresentou propostas relacionadas à saúde pública.
O episódio, portanto, passou a integrar o conjunto de declarações de Lula que vêm sendo discutidas durante a campanha. A repercussão deve-se menos ao tema da prevenção da saúde masculina e mais à forma utilizada para apresentá-lo.
A fala também reacende o debate sobre a responsabilidade de autoridades públicas na escolha das palavras ao tratar de temas sensíveis. Quando o assunto envolve saúde, violência contra a mulher e dignidade humana, a comunicação presidencial exige especial cuidado para não transformar uma mensagem de prevenção em uma declaração que gere constrangimento ou interpretação ofensiva.
O caso deixa, assim, duas questões distintas: a importância de incentivar homens a cuidar da saúde e realizar acompanhamento médico e, de outro lado, o repúdio à forma como Lula relacionou o exame de próstata à expressão utilizada em referência às mulheres.
A prevenção de doenças continua sendo uma questão relevante de saúde pública, mas, para críticos do presidente, o combate ao preconceito e à violência contra as mulheres não combina com comparações que possam banalizar agressões físicas ou transformar um tema sério em motivo de constrangimento.