Lula pede que Mercosul e União Europeia “digam sim” ao comércio global e critica intervenções militares na América Latina

Lula pede que Mercosul e União Europeia “digam sim” ao comércio global e critica intervenções militares na América Latina

Durante cúpula na Colômbia, presidente defende integração econômica baseada em regras e condena o uso de velhos discursos para justificar ações militares na região.

Durante a 4ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) com a União Europeia, realizada neste domingo (9) em Santa Marta, na Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo para que o Mercosul e a União Europeia avancem nas negociações e firmem um acordo comercial “baseado em regras” e que sirva de resposta ao “unilateralismo”.

“Na próxima Cúpula do Mercosul, em dezembro, espero que os dois blocos possam finalmente dizer sim ao comércio internacional justo e equilibrado”, afirmou Lula, destacando que o pacto pode criar um mercado de 718 milhões de pessoas e um PIB conjunto de 22 trilhões de dólares.

Críticas às intervenções militares

Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, Lula criticou o uso da força em países da América Latina e do Caribe, afirmando que “velhas manobras retóricas” continuam sendo utilizadas para justificar “intervenções ilegais”.

“A ameaça do uso da força militar voltou a fazer parte do cotidiano da América Latina. Somos uma região de paz e queremos continuar assim. Democracias não combatem o crime violando o direito internacional”, disse o presidente.

As declarações ocorreram em meio ao aumento das tensões entre Estados Unidos e Venezuela, após operações militares norte-americanas na região caribenha.

Lula lembrou também que já havia discutido o tema com o ex-presidente Donald Trump, reforçando o caráter pacífico da região. “A América Latina é uma zona de paz. Não temos armas nucleares — e tenho orgulho de ter votado para que o Brasil nunca as tivesse”, afirmou.

Combate ao crime organizado

O presidente defendeu ainda uma ação conjunta entre os países latino-americanos no enfrentamento ao crime organizado. “Nenhum país pode enfrentar esse desafio sozinho. Precisamos de operações coordenadas, troca de informações e estratégias comuns”, destacou.

Para Lula, é fundamental “estrangular o financiamento” das organizações criminosas e interromper o tráfico de armas. “O alcance transnacional do crime coloca à prova nossa capacidade de cooperação”, acrescentou.

Sem citar nomes, o presidente criticou o avanço do extremismo e o enfraquecimento da tolerância política. “Projetos pessoais de poder corroem a democracia e nos afastam da cooperação. Precisamos voltar a sentar à mesa, mesmo com opiniões diferentes”, completou.

COP 30 e o papel ambiental da América Latina

Ao comentar sobre a COP 30, que será sediada no Brasil, Lula disse que o evento será uma chance para a América Latina e o Caribe mostrarem ao mundo que “cuidar das florestas é cuidar do futuro do planeta”.

“A transição energética é inevitável. Nossa região é uma fonte segura de energia limpa e pode ajudar o mundo a reduzir a dependência dos combustíveis fósseis”, concluiu o presidente.

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