
Lula “Presenteia” Taxistas com Isenção — Uma Generosidade Temporária em Época de Bons Gestos
Suspensão da taxa de taxímetro por cinco anos cai do céu como milagre — ou como aquele mimo que aparece em momentos politicamente oportunos.
O governo Lula decidiu abrir a carteira — não a dele, claro, mas a do contribuinte — e sancionou a lei que isenta os taxistas de pagar a taxa de verificação dos taxímetros pelos próximos cinco anos. Até ontem, essa cobrança de R$ 52 por aparelho era feita religiosamente pelo Inmetro. Agora, virou gentileza estatal.
É importante dizer: a verificação continua obrigatória. O equipamento ainda precisa ser checado para funcionar corretamente. A única diferença é que, por cinco anos, esse custo cai no colo de todo mundo — menos dos taxistas.
E não para por aí.
Como todo pacote “carinhoso”, vieram brindes adicionais:
- Em cidades com menos de 50 mil habitantes, a aferição dos taxímetros, que antes era anual, passa a ser bienal.
- O governo aproveitou para mexer na antiga Lei 12.468/2011, adicionando alguns agrados:
- direito de sucessão para passar a outorga aos filhos, cônjuge ou companheiro em caso de falecimento;
- cursos obrigatórios que agora podem ser feitos online;
- criação do Dia Nacional do Taxista, em 26 de agosto — porque toda categoria merece um feriado simbólico quando ganha benefícios.
A lei também suaviza as regras sobre inatividade. Só será considerado inativo quem passar dois anos sem vistoria ou renovação da licença. Períodos de férias, problemas de saúde, manutenção do carro, sinistro ou até mobilização da categoria continuam valendo como “atividade”, desde que avisados ao poder público.
Tudo isso embala um clima de generosidade oficial que, sem querer sendo irônico, lembra aquelas épocas em que o governo aparece com um sorriso largo, distribuindo presentes com cheiro de “bom relacionamento” com a categoria.
No fim das contas, a isenção não é só uma ajuda: é um gesto calculado, embalado como justiça social, mas que cai como música no ouvido de um grupo profissional grande, organizado e politicamente valioso.
Porque, no Brasil, até a suspensão de uma taxa parece ter um cronômetro eleitoral escondido atrás do painel do taxímetro.