
Lula pressiona ministros e dá 60 dias para traçar plano contra combustíveis fósseis
Governo corre para montar diretrizes e criar um fundo de transição energética, enquanto o país ainda patina entre promessas climáticas e interesses do petróleo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fixou, nesta segunda-feira (8), um prazo de dois meses para que quatro ministérios entreguem um conjunto de diretrizes com o objetivo de construir um “mapa do caminho” para que o Brasil diminua sua dependência de combustíveis fósseis e avance de forma concreta na transição energética.
Além disso, Lula determinou que esses mesmos órgãos elaborem uma proposta para a criação de um Fundo de Transição Energética — um caixa abastecido por parte do dinheiro arrecadado com a exploração de petróleo e gás. Em outras palavras: usar a renda dos combustíveis fósseis para financiar o fim deles.
Essa pauta tem sido defendida pelo próprio presidente desde a Cúpula de Líderes realizada antes da COP30, em Belém, quando Lula prometeu que o país daria um passo mais firme rumo a um futuro menos dependente do carbono — promessa que, por sinal, ainda não saiu totalmente do papel.
De acordo com o despacho publicado no Diário Oficial, caberá aos Ministérios de Minas e Energia, Fazenda, Meio Ambiente e à Casa Civil montar o projeto. Depois disso, o texto seguirá para o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que terá a função de fechar a proposta final.
A ala ambiental do governo comemorou a decisão, dizendo que o movimento envia um recado importante tanto para dentro quanto para fora do país. Afinal, não dá para seguir empurrando o debate enquanto o planeta literalmente esquenta todos os anos.
A ministra Marina Silva, uma das vozes mais insistentes nesse tema, defende que o Brasil finalmente produza um roteiro claro, especialmente depois da COP28, em Dubai — quando o mundo concordou, pela primeira vez, em abandonar gradualmente os combustíveis fósseis, mas não conseguiu decidir como fazer isso de verdade.
Durante a COP30, no mês passado, Lula tentou pessoalmente convencer outros países a aderirem à ideia de um guia global para a transição. Mas a proposta empacou por causa da resistência de nações que lucram pesadamente com petróleo, especialmente os países árabes. Resultado: o assunto ficou de fora das decisões finais.
Diante do impasse, o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, prometeu elaborar ele mesmo um documento com sugestões para orientar a transição energética das nações, ao longo de 2026.
O plano idealizado por Lula, porém, vale apenas para o Brasil — um esboço doméstico, enquanto o roteiro mundial segue indefinido.