Retórica em Modo Guerra Fria

Retórica em Modo Guerra Fria

Cuba responde Trump com bravata, soberania e o velho discurso de resistência

Em mais um capítulo do embate verbal que atravessa décadas, Havana decidiu subir o tom. Diante das ameaças vindas de Washington, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel recorreu ao repertório clássico: soberania, resistência e a promessa de defender a ilha “até a última gota de sangue”. Tudo isso, claro, em um post nas redes sociais — porque nada simboliza melhor a guerra ideológica do século XXI do que um manifesto em 280 caracteres.

A resposta veio após Donald Trump afirmar que Cuba deveria sentar à mesa para negociar com os Estados Unidos, sob pena de perder o petróleo e os recursos que ainda chegam da Venezuela. A mensagem foi direta: ou acordo, ou aperto. Havana, por sua vez, escolheu o caminho já conhecido — culpar o embargo, exaltar a revolução e reafirmar que ninguém manda na ilha.

Segundo Díaz-Canel, Cuba não ameaça ninguém, apenas se prepara. Não ataca, apenas resiste. E, sobretudo, não aceita lições de um país que, segundo ele, transforma tudo em negócio — inclusive vidas humanas. A fala, carregada de indignação, veio acompanhada da velha justificativa para a crise econômica: as sanções americanas, apontadas como responsáveis por praticamente todos os problemas internos.

Trump, do outro lado, não detalhou qual seria o tal “acordo”, mas deixou no ar a possibilidade de mudanças profundas, chegando a elogiar a ideia de Marco Rubio assumir a presidência cubana — sugestão que soou mais como provocação do que diplomacia.

No fim das contas, o roteiro é conhecido: ameaça de um lado, discurso inflamado do outro, acusações cruzadas e nenhuma solução concreta à vista. Enquanto isso, o povo cubano segue assistindo à troca de farpas entre líderes, esperando que, em algum momento, a retórica dê lugar a resultados — e que não seja preciso chegar à tal “última gota” para isso acontecer.

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