
Lula reage a críticas dos EUA e nega violações de direitos humanos no Brasil
Presidente afirma que acusações são infundadas e dispara contra postura americana de criar “vilões” em disputas políticas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva respondeu nesta terça-feira às críticas feitas pelo governo dos Estados Unidos, que apontou deterioração da situação dos direitos humanos no Brasil e acusou o país de restringir o debate democrático.
Diante de parlamentares, empresários e líderes sindicais, Lula rejeitou as acusações e disse que não há motivo para o “tarifaço” de 50% imposto pelo governo de Donald Trump sobre exportações brasileiras.
— Ninguém aqui está desrespeitando direitos humanos, como querem fazer parecer. Os nossos amigos americanos, quando querem brigar com alguém, primeiro tentam criar uma imagem de demônio dessa pessoa ou país. Foi assim com a América Latina, com o mundo árabe, com a Rússia, com países asiáticos — afirmou o presidente. — Agora, querer falar em direitos humanos no Brasil? É preciso olhar primeiro para o que acontece dentro do país que nos acusa.
Lula reforçou que o Brasil não aceitará ser rotulado como violador de direitos humanos e afirmou que o país não deu qualquer motivo para sofrer sanções comerciais.
As declarações ocorreram durante a assinatura da Medida Provisória da Soberania, um pacote de medidas para reduzir o impacto do tarifaço. O discurso também foi uma resposta direta ao relatório “2024 Country Reports on Human Rights Practices: Brazil”, divulgado pelo governo americano, que citou o ministro do STF Alexandre de Moraes e acusou o país de promover censura.
Segundo especialistas e organizações como a Anistia Internacional e a Transparência Internacional, o documento dos EUA não encontra respaldo técnico e diverge de avaliações independentes sobre a situação brasileira.