
đ Feminismo versus ativismo trans: Erika Hilton aparece como vĂtima em processo sem ser citada
Deputada federal entra nos autos como assistente de acusação em ação judicial sobre postagens polĂȘmicas de ativista feminista
Uma ativista feminista da ParaĂba virou rĂ© na Justiça Federal depois de ser denunciada pelo MinistĂ©rio PĂșblico Federal por publicaçÔes nas redes sociais sobre Simone de Beauvoir e o ativismo trans. O caso, no entanto, ganhou atenção por um detalhe curioso: a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) aparece como vĂtima no processo, mesmo sem ser mencionada nas postagens que originaram a ação.
As publicaçÔes que deram inĂcio ao processo foram feitas em novembro de 2020 na plataforma X (antigo Twitter). Em uma delas, a ativista afirmava que âmulheres trans nĂŁo sĂŁo mulheresâ.
â âA gente fala que mulheres trans nĂŁo sĂŁo mulheres (porque nasceram com sexo masculino), e os transativistas dizem que feministas radicais nĂŁo sĂŁo gente, nĂŁo sĂŁo seres humanos. Imaginar acreditar num feminismo que desumaniza mulheres Ă© surrealâ, disse a rĂ©.
Em outra publicação, ela compartilhou um vĂdeo da professora Bronwyn Winter, da Universidade de Sidney, sobre Simone de Beauvoir. No trecho, Winter destacava que âuma pessoa transgĂȘnero mantĂ©m seu DNA de nascimentoâ e que ânenhuma cirurgia, hormĂŽnio ou roupa vai mudar issoâ.
A denĂșncia chegou apenas em fevereiro de 2025, mais de quatro anos depois das publicaçÔes. O procurador JosĂ© Godoy Bezerra de Souza considerou que as postagens teriam carĂĄter discriminatĂłrio, com âpreconceito classificado como homotransfĂłbicoâ. O juiz federal Manuel Maia de Vasconcelos Neto aceitou a acusação em abril, tornando a ativista rĂ©.
Desde julho, Erika Hilton entrou no processo como assistente de acusação, apĂłs pedido aceito pelo juiz. Em documentos obtidos pelo Pleno.News, a deputada aparece como vĂtima, mesmo sem ter sido mencionada nas publicaçÔes questionadas.
Em setembro, o advogado Adailton Raulino Vicente da Silva, defensor da rĂ©, respondeu Ă acusação afirmando que as postagens nĂŁo contĂȘm âqualquer conteĂșdo ofensivo ou discriminatĂłrioâ, mas expressam âopiniĂ”es ou observaçÔes genĂ©ricas, dentro da liberdade de expressĂŁoâ.
â âĂ reconhecido pela biologia e medicina que o DNA de uma pessoa nĂŁo muda com hormĂŽnios, cirurgias ou alteração de expressĂŁo de gĂȘnero. NĂŁo Ă© preconceito, Ă© dado cientĂficoâ, destacou o advogado.
Procurada, Erika Hilton não comentou sobre o processo até o momento.