Lula reaparece no palco global para atacar redes sociais e defender mais controle estatal

Lula reaparece no palco global para atacar redes sociais e defender mais controle estatal

Em discurso na Índia, presidente volta a mirar big techs, prega regulação global da inteligência artificial e usa o velho tom alarmista para justificar mais poder sobre o ambiente digital

Em mais um capítulo de sua cruzada contra as redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a discursar contra as big techs em um palco internacional. Desta vez, o cenário foi Nova Déli, durante a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, realizada na Índia.

Diante de cerca de 20 chefes de Estado e executivos do setor de tecnologia, Lula defendeu a criação de uma espécie de “governança global” da inteligência artificial — conceito amplo, pouco definido e que, na prática, abre espaço para mais controle político sobre o fluxo de informações no mundo digital.

O discurso seguiu o roteiro já conhecido. Segundo o presidente, a tecnologia avança rápido demais, enquanto o multilateralismo “recua perigosamente”. A fala ocorreu em sessão comandada pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e contou com a presença de nomes de peso da indústria, como Sam Altman, chefe da OpenAI.

Lula voltou a listar uma série de riscos associados à inteligência artificial — de desinformação e discursos de ódio até crimes graves — numa tentativa de pintar a tecnologia como uma ameaça difusa que exigiria resposta imediata dos governos. O problema é que, no meio desse pacote, entram também críticas diretas às redes sociais e aos algoritmos, tratados pelo presidente como instrumentos de poder que, segundo ele, colocariam a democracia em risco.

— Sem ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas — afirmou, reforçando a narrativa de que a regulação estatal seria a única saída possível.

Na prática, o discurso serve como justificativa para defender a regulamentação das big techs no Brasil, com o argumento de proteger direitos humanos, a informação e as indústrias criativas. É o mesmo raciocínio que vem sendo usado internamente para sustentar projetos que ampliam a interferência do Estado sobre plataformas digitais e conteúdos publicados por usuários.

Lula também citou debates no Congresso sobre o marco regulatório da inteligência artificial, incentivos a data centers e o Plano Brasileiro de IA lançado no ano passado. Além disso, mencionou discussões no Brics, no G7 e até iniciativas da China — tudo para concluir que nenhuma dessas frentes seria suficiente sem o aval e a centralidade da Organização das Nações Unidas.

No fim das contas, o discurso soa menos como preocupação genuína com tecnologia e mais como uma tentativa de exportar uma visão já conhecida: a de que redes sociais precisam ser “domadas”, ainda que isso signifique abrir mão de liberdade, pluralidade e debate em nome de um controle que nunca vem sem custo.

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