
Lula Reúne Brics e Reforça Defesa do Multilateralismo
Em videoconferência, presidente brasileiro discute tarifas dos EUA, guerras, COP30 e reforma da governança global
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na manhã desta segunda-feira (8/9), de uma videoconferência com líderes dos países do Brics para tratar de assuntos estratégicos, como o aumento das tarifas imposto pelos Estados Unidos, a defesa do multilateralismo, reformas na governança global, conflitos internacionais e a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30).
Entre os participantes estavam Xi Jinping, da China; Cyril Ramaphosa, da África do Sul; Vladimir Putin, da Rússia; e o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, entre outros líderes.
De acordo com nota divulgada pelo Palácio do Planalto, os chefes de Estado reafirmaram o compromisso com a preservação e fortalecimento do multilateralismo e discutiram a necessidade de modernizar organismos internacionais, como a ONU.
“O bloco realizou um balanço da situação mundial e concordou sobre a urgência de avançar para uma ordem global mais justa, equilibrada e inclusiva, capaz de refletir as mudanças em curso e atender melhor às demandas do Sul Global”, destacou a nota oficial.
Os líderes também debateram estratégias para enfrentar os riscos do aumento de medidas unilaterais no comércio internacional e avaliaram formas de ampliar a cooperação econômica entre os países do Brics.
O encontro foi convocado por Lula após os Estados Unidos anunciarem tarifas de 50% sobre produtos exportados pelos países do bloco. Nos últimos dias, o presidente brasileiro intensificou contatos com líderes mundiais, como Xi Jinping, Vladimir Putin, Emmanuel Macron e Narendra Modi, além de receber chefes de Estado do Panamá, Equador e Nigéria em Brasília, buscando fortalecer parcerias e posicionar o Brasil contra o protecionismo.
As medidas de Donald Trump já haviam sido tema da cúpula do Brics realizada no Rio de Janeiro, em julho, quando os 11 países do grupo divulgaram declaração conjunta criticando o aumento indiscriminado de tarifas, sem citar diretamente os Estados Unidos. Em seguida, Trump reagiu ameaçando aplicar taxas de 10% a países que adotassem políticas consideradas “antiamericanas”.