
Charlie Kirk: o ativista conservador que virou símbolo da nova direita nos EUA e morreu baleado
Aliado de Trump, ele fundou a Turning Point USA, mobilizou jovens, acumulou polêmicas e se tornou uma das vozes mais influentes do conservadorismo americano.
Charlie Kirk, um dos principais rostos da direita americana e aliado próximo de Donald Trump, foi morto aos 31 anos após levar um tiro no pescoço durante um evento na Universidade Utah Valley, na quarta-feira (10). A notícia foi confirmada pelo próprio presidente dos Estados Unidos em uma rede social.
Fundador da organização juvenil conservadora Turning Point USA, criada em 2012, Kirk construiu sua carreira como agitador político e estrategista do movimento republicano. Sem formação universitária — após ser rejeitado em West Point —, decidiu apostar no ativismo e rapidamente ganhou notoriedade entre jovens conservadores.
Seu grupo se destacou em campanhas como “Estudantes com Trump”, que ajudou a engajar o eleitorado nas eleições de 2020 e 2024. Ao lado disso, Kirk se tornou uma figura midiática, com presença constante na Casa Branca, participação em debates da chamada “guerra cultural” e críticas ferozes à mídia tradicional, além de um programa de rádio diário e um podcast que está entre os mais ouvidos do país.
Casado e pai de dois filhos, ele também era conhecido pelas declarações polêmicas. Durante a pandemia, foi suspenso das redes por espalhar desinformação sobre a Covid. Em 2021, organizou ônibus de manifestantes rumo a Washington no dia da invasão do Capitólio — embora não tenha sido investigado. Já em 2023, chegou a afirmar que a manutenção do direito ao porte de armas valeria até mesmo “o custo de algumas mortes”.
A influência de Kirk cresceu a ponto de ser determinante na escolha de J.D. Vance como vice de Trump em 2024. Após a vitória contra Kamala Harris, o próprio presidente agradeceu publicamente ao ativista por sua capacidade de mobilizar jovens eleitores.
Sob sua liderança, a Turning Point saiu de arrecadações modestas para movimentar mais de US$ 90 milhões em 2023. Seu carisma e talento para networking fizeram dele uma referência incontornável na direita americana.
Agora, sua trajetória foi interrompida de forma brutal, deixando um vácuo no movimento que ajudou a impulsionar — e uma morte que promete ecoar ainda mais no cenário político dos EUA.