
Lula sai do G7 sem encontros com Ucrânia e Alemanha e evita imprensa
Presidente brasileiro deixa cúpula no Canadá sem realizar reuniões importantes e sem dar declarações; atrasos na agenda foram justificativa oficial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerrou sua participação na Cúpula do G7 de forma discreta e envolta em questionamentos. Lula deixou Kananaskis, no Canadá, onde ocorreu o encontro entre os líderes das maiores economias do mundo, por volta das 19h30 (horário de Brasília), sem falar com a imprensa — o que era inicialmente previsto.
A agenda do presidente ficou prejudicada pelos atrasos no cronograma oficial do evento, que teve mais de uma hora de atraso. Com isso, foram canceladas as reuniões bilaterais que estavam programadas com dois líderes estratégicos: o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, e o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz.
Essa foi a segunda tentativa frustrada de uma conversa entre Lula e Zelenski — a primeira foi em 2023, durante a edição do G7 realizada no Japão. O encontro era visto como uma oportunidade para Lula reposicionar sua imagem internacional após críticas de equidistância em relação à guerra na Ucrânia. A ausência de diálogo com a Alemanha também levanta dúvidas sobre a articulação diplomática brasileira com a maior potência da Europa.
O presidente brasileiro, no entanto, conseguiu realizar reuniões com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, com quem tratou de temas como comércio, transição energética e democracia, e com o novo líder da Coreia do Sul, Lee Jae-myung. Fora da agenda oficial, Lula também teve breves conversas com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e o premiê da Índia, Narendra Modi.
Apesar dessas interações, a saída do G7 sem se pronunciar à imprensa e sem encontros com figuras-chave do cenário geopolítico reforça críticas sobre a atuação do Brasil no cenário internacional e levanta questionamentos sobre o grau de protagonismo que o país pretende — ou consegue — exercer.