
“Lula saiu do armário e mostrou de que lado está”, dispara líder do PL após fala sobre operação no Rio
Deputado Sóstenes Cavalcante acusa o presidente de defender criminosos e ignorar policiais mortos em ação que deixou 121 mortos — a mais letal da história do Rio.
As palavras de Luiz Inácio Lula da Silva sobre a operação policial que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, continuam ecoando com indignação no Congresso. Ao chamar a ação de “matança”, o presidente provocou uma enxurrada de críticas — e a mais contundente veio do líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ).
Em tom duro, o parlamentar afirmou que Lula “saiu do armário” ao se colocar contra as forças de segurança e “a favor dos criminosos”. “Lula agora quer investigar, com a PF dele, a ‘matança’ que houve no Rio. Mas não falou nada sobre os quatro policiais assassinados. Está cada vez mais claro de que lado o ‘descondenado’ está. A direita sempre estará ao lado da lei, do Estado e da polícia. O PT é o partido dos traficantes”, escreveu Sóstenes nas redes sociais.
A declaração do presidente, feita durante entrevista a agências internacionais em Belém (PA), também irritou setores da segurança pública. Lula disse que a ordem judicial era de prisão, não de execução, e defendeu uma apuração independente com a participação da Polícia Federal.
“A decisão do juiz era uma ordem de prisão, não uma ordem de matança. E houve uma matança”, afirmou Lula, classificando a ação como “desastrosa”.
A operação, realizada no dia 28 de outubro, foi planejada para enfrentar a facção Comando Vermelho e mobilizou cerca de 2.500 policiais. Apesar de ser considerada um sucesso estratégico pelo governo do Rio, a ação é também a mais letal da história do estado, e gerou reações de organismos internacionais e da ONU.
Para Sóstenes e outros parlamentares da oposição, porém, Lula ultrapassou o limite ao deslegitimar a polícia e se alinhar ao discurso de entidades que tratam bandidos como vítimas. “Ele fala em investigação, mas não menciona os heróis que tombaram defendendo o povo. É o retrato de um governo que perdeu o senso de justiça”, criticou outro deputado da bancada fluminense.
Enquanto o Planalto tenta se justificar em meio à repercussão internacional, a oposição promete transformar o episódio em pauta permanente no Congresso. “Lula deixou claro: ele não está com o Brasil que enfrenta o crime, está com o Brasil que o justifica”, concluiu Sóstenes.