Enquanto o povo passa fome, governo gasta R$ 54 milhões para vigiar adversários na internet

Enquanto o povo passa fome, governo gasta R$ 54 milhões para vigiar adversários na internet

Em vez de investir em saúde, segurança ou comida na mesa do brasileiro, o Planalto banca um “big brother” ideológico para espionar parlamentares da oposição com dinheiro público

Num país onde crianças dormem com fome e hospitais vivem à míngua, o governo federal achou uma prioridade: torrar R$ 54 milhões para vigiar adversários políticos nas redes sociais. Isso mesmo. Enquanto o arroz some do prato e a fila do SUS aumenta, o Planalto investe pesado em um projeto chamado Rede Minerva, uma estrutura bancada com dinheiro público para monitorar o que deputados de oposição – e até influenciadores – andam postando na internet.

A denúncia foi feita pelo deputado Kim Kataguiri (União-SP), que protocolou um requerimento cobrando do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação todos os relatórios e boletins produzidos pelo programa. O projeto, operado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), já consumiu recursos de dois ministérios: R$ 42 milhões do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, vinculado ao Ministério da Justiça, e mais R$ 12,1 milhões arrancados do orçamento da Saúde. Isso mesmo: da Saúde.

E o que fazem com esse dinheiro? Produzem relatórios fechados ao público, como o Boletim Baobá, com análises e rastreamento de publicações feitas por nomes como Gustavo Gayer (PL-GO), Carlos Jordy (PL-RJ) e até governistas. Mas o foco, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo, está claramente nos críticos de Lula e companhia.

Kataguiri, em sua justificativa, diz que quer garantir transparência sobre como o dinheiro dos brasileiros está sendo usado — especialmente quando se trata de algo tão sensível quanto liberdade de expressão. Ele quer saber, por exemplo, quem são os bolsistas pagos com esse dinheiro, se há filtros ideológicos no monitoramento e quais são os critérios para a escolha de quem será “acompanhado”.

A Rede Minerva, tentando apagar o incêndio, disse em nota que não persegue ninguém e que seu trabalho é baseado em “metodologia científica” com dados abertos e públicos. Mas não explicou por que gasta tanto para monitorar o óbvio: que há insatisfação nas redes com o governo.

A pergunta que fica é simples e revoltante: num país em colapso social, com famílias dependendo de cesta básica e um sistema de saúde à beira da falência, por que R$ 54 milhões estão sendo usados para vigiar quem pensa diferente?

Esse não é apenas um gasto desnecessário. É um escárnio. Um governo que se diz democrático, mas que investe milhões para bisbilhotar adversários, não está defendendo a liberdade de expressão — está testando os limites da nossa paciência. E do nosso bolso.

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