
Lula se incomoda com Trump e tenta explicar que o Brics não é um clube anti-EUA
Presidente brasileiro responde com diplomacia azeda às ameaças do ex-presidente americano e diz que o bloco quer ajudar, não afrontar. Mas o incômodo ficou evidente.
Durante o encerramento da Cúpula dos Brics no Rio, nesta segunda-feira (7), Lula tentou manter o tom pacificador, mas não disfarçou a irritação com as declarações recentes de Donald Trump. O ex-presidente dos EUA, em plena campanha eleitoral, ameaçou aplicar uma tarifa de 10% a países que, segundo ele, “se aliem a políticas antiamericanas” — referência clara ao fortalecimento do bloco das economias emergentes.
Sem citar nomes no começo, Lula começou a resposta com aquele clássico tom diplomático recheado de alfinetadas:
“O Brics não nasceu para afrontar ninguém. O mundo mudou. Não queremos imperador”, disse ele, mirando sem dizer, mas claramente mirando.
Mais adiante, ficou impossível não perceber o incômodo:
“Não acho muito sério um presidente da República do tamanho dos Estados Unidos ficar ameaçando o mundo pela internet.”
Trump, como de costume, usou redes sociais para disparar seus recados em tom belicoso. Lula, por sua vez, adotou um estilo mais contido, mas o desconforto transpareceu: o presidente brasileiro precisou justificar que o Brics não é um “clube da provocação”, e sim um espaço de cooperação solidária — o que, por si só, já revela o quanto as provocações de Trump surtiram efeito.
“O banco do Brics quer ajudar países em desenvolvimento. Não estamos aqui para disputar com ninguém”, insistiu Lula, como quem tenta convencer a plateia — e talvez a si mesmo — de que está tudo sob controle.
No entanto, a diplomacia teve seu limite. Em um momento de sinceridade estratégica, Lula mandou o recado:
“Se ele [Trump] quiser taxar, os países também têm o direito de taxar. É a política da reciprocidade.”
A cúpula de 2025 marcou a presença de novos membros no bloco, como Egito, Irã, Etiópia e Emirados Árabes Unidos. Com mais vozes e interesses na mesa, o Brics começa a incomodar não só Trump, mas também os eixos tradicionais do poder global.
No fim das contas, a frase “não queremos imperador” pode até parecer poética. Mas a verdade é que o império ainda incomoda — e muito. E Lula, entre uma ironia e outra, deixou isso bem claro.
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