Lula tenta desmistificar o ambientalismo e avisa: “Cuidar do planeta não é papo de bicho-grilo”

Lula tenta desmistificar o ambientalismo e avisa: “Cuidar do planeta não é papo de bicho-grilo”

Durante a cúpula do Brics, presidente defende ações contra as mudanças climáticas e diz que sustentabilidade é coisa de quem acredita em ciência — mas escorrega na contradição com exploração de petróleo

Durante a Cúpula do Brics no Rio de Janeiro, nesta segunda-feira (7/7), Lula decidiu dar um recado direto aos céticos da causa ambiental: cuidar da natureza não é mais exclusividade dos chamados “bicho-grilos”. Com tom firme e, como de costume, um toque de provocação, o presidente afirmou que a pauta ecológica é urgente, científica e, sobretudo, necessária diante do colapso climático que já dá sinais por todos os lados.

“As mudanças no clima estão aí, e não temos como controlá-las. Precisamos cuidar das florestas, dos oceanos, do que nos resta. Isso não é coisa de radical, de universitário ou de hippie dos anos 70. É coisa de gente que acredita na ciência”, disse o presidente, em um discurso que misturou preocupação real com aquele velho estilo “vou quebrar o estereótipo”.

Lula também mencionou os desastres recentes nos Estados Unidos e no Rio Grande do Sul como sinais claros de que a natureza está cobrando a conta. O discurso ambientalista vem sendo uma das bandeiras mais exibidas por seu governo — tanto que ele fez questão de colocar Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente logo no início do mandato.

Mas, como nem tudo são flores (nem reflorestamento), há uma contradição pairando no ar. Enquanto defende o planeta com uma mão, com a outra Lula empurra projetos de exploração de petróleo na Foz do Amazonas — uma área ecologicamente delicada e protegida. A tentativa de equilibrar a agenda ambiental com o apetite por combustíveis fósseis tem causado desconforto até mesmo dentro da base aliada.

Mesmo assim, o governo quer mostrar liderança na questão climática. Prova disso é que o Brasil sediará em novembro a COP30, a conferência global da ONU sobre o clima. O evento deve colocar o país sob os holofotes — e também sob pressão — para provar que suas promessas verdes não são só discurso de palanque.

No fim das contas, Lula parece estar tentando convencer o mundo (e talvez a si mesmo) de que é possível conciliar petróleo com floresta, gás com biodiversidade e extração com regeneração. Uma equação complicada, que, por enquanto, continua sem solução clara — mas com muita retórica no microfone.

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