
Lula tenta transformar o 8 de Março em palanque político enquanto feminicídios batem recorde no Brasil
Uso do Dia Internacional da Mulher pelo governo gera críticas diante da alta da violência contra mulheres
Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a colocar o combate ao feminicídio no centro de seus discursos públicos. No entanto, o tema tem sido acompanhado por críticas e questionamentos da oposição, que acusa o Planalto de tentar transformar uma pauta sensível em instrumento político e eleitoral.
O debate ganhou força porque, ao mesmo tempo em que o governo reforça discursos sobre proteção às mulheres, os números oficiais indicam um cenário preocupante: o Brasil registrou recorde de casos de feminicídio em 2025.
Recorde de feminicídios pressiona discurso do governo
Dados recentes apontam que 1.470 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, uma média alarmante de quatro casos por dia. O número superou o recorde anterior, de 1.464 ocorrências em 2024, evidenciando que a violência contra mulheres continua sendo um dos maiores desafios de segurança pública no país.
Diante desses índices, adversários políticos passaram a questionar a efetividade das políticas do governo federal. Para críticos da gestão petista, há uma diferença entre o discurso político e os resultados concretos na redução da violência.
O senador Flávio Bolsonaro, por exemplo, tem feito críticas públicas ao governo e busca dialogar diretamente com o eleitorado feminino, prometendo maior atenção à segurança das mulheres e apoio a mães que criam seus filhos sozinhas.
Governo aposta em pactos e operações policiais
Para responder às críticas, o governo anunciou um conjunto de ações voltadas ao enfrentamento da violência contra mulheres. Entre elas está um pacto institucional envolvendo Executivo, Legislativo e Judiciário para fortalecer políticas públicas de prevenção e combate ao feminicídio.
Segundo o Ministério da Justiça, uma força-tarefa recente resultou na prisão de mais de 5 mil suspeitos de crimes relacionados à violência contra mulheres entre fevereiro e início de março.
Também foram anunciadas iniciativas como:
- ampliação da rede de atendimento a vítimas
- criação de centros integrados de dados sobre violência doméstica
- monitoramento eletrônico de agressores com medidas protetivas
- instalação de unidades móveis chamadas Salas Lilás para atendimento emergencial
Apesar das medidas, muitos especialistas afirmam que boa parte das iniciativas ainda está em fase inicial e que seus efeitos práticos podem levar tempo para aparecer.
Atuação da primeira-dama também entra no debate político
Parte da estratégia do governo também envolve a atuação da primeira-dama Rosângela da Silva, que tem defendido a criação de políticas integradas entre os três Poderes para combater a violência de gênero.
Segundo ela, a proposta busca fortalecer mecanismos institucionais e promover uma mudança cultural na sociedade brasileira. No entanto, a própria primeira-dama reconheceu que os resultados dessas iniciativas não serão imediatos.
Essa admissão acabou alimentando ainda mais o debate político, já que opositores argumentam que o governo ainda não apresentou resultados concretos capazes de reduzir os índices de violência.
O 8 de março vira palco de disputa política
O Dia Internacional da Mulher sempre foi um momento de mobilização social, mas neste ano ganhou ainda mais peso político por acontecer em um cenário pré-eleitoral.
Partidos e movimentos ligados ao governo convocaram manifestações em diversas cidades do país. Entre as pautas defendidas estão o combate à violência contra mulheres, políticas de igualdade e mudanças nas relações de trabalho.
Críticos do governo, porém, acusam o Planalto de tentar usar a data histórica como uma espécie de plataforma política antecipada, explorando o tema para fortalecer sua base eleitoral.
Segurança pública deve dominar o debate eleitoral
Analistas políticos avaliam que a segurança pública deve ser um dos principais temas nas eleições deste ano. Dentro desse contexto, a violência contra mulheres tende a ocupar papel central no debate entre governo e oposição.
Enquanto aliados de Luiz Inácio Lula da Silva defendem que o combate ao feminicídio é uma prioridade histórica da esquerda, opositores afirmam que o aumento dos casos expõe fragilidades nas políticas adotadas até agora.
Com números ainda elevados e grande repercussão pública, o tema promete continuar no centro das discussões políticas nos próximos meses — tanto nas instituições quanto nas campanhas eleitorais.