Fux muda de posição e enfrenta Gilmar Mendes ao pedir anulação de ação sobre suposta trama golpista

Fux muda de posição e enfrenta Gilmar Mendes ao pedir anulação de ação sobre suposta trama golpista

Ministro diz que julgamentos do 8 de Janeiro exigem “mais humanidade” e critica influência externa nos votos; placar ainda pode mudar.

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), surpreendeu ao votar pela anulação da ação penal contra os sete acusados do chamado núcleo 4 da trama golpista — grupo responsável por espalhar fake news contra as urnas eletrônicas.

Foi a primeira divergência do julgamento: antes dele, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin haviam votado pela condenação.

Mas a mudança não ficou só no mérito: Fux fez questão de enviar recados — principalmente ao colega Gilmar Mendes, com quem tem acumulado discussões públicas.

🗣️ “O tempo muda o julgamento — e a consciência”

Em um tom raro de autocrítica dentro do STF, Fux justificou seu reposicionamento:

“O passar do tempo amadurece o senso de humanidade e traz coragem de rever nossos vereditos. O sofrimento de quem aguarda justiça não deve ser ignorado.”

Ele também afirmou que o processo não deveria estar na Primeira Turma, mas sim no plenário, onde todos os ministros podem se manifestar. Para ele, decisões tão graves não podem ser concentradas em um colegiado menor.

🔥 Crítica direta — ainda que sem nomes

Sem citar, mas deixando claro o alvo, Fux criticou ministros que opinam sobre casos nos bastidores ou fora dos autos — prática atribuída a Gilmar Mendes, o decano do tribunal.

O atrito entre os dois escalou na semana passada, quando Gilmar condenou verbalmente o voto de Fux em outro julgamento da trama golpista. O ministro retrucou hoje:

“Desrespeitar o espaço do plenário e fazer julgamentos paralelos afronta a Loman e silencia quem realmente está votando.”

Clima de tribunal? Tenso, muito tenso.

✅ Situação do julgamento

Ainda faltam os votos de Cármen Lúcia e Flávio Dino. Se apenas um deles acompanhar Moraes e Zanin, a condenação estará garantida — e só depois virá a definição das penas.

Os réus são militares da ativa e da reserva, além de um policial federal e o presidente do Instituto Voto Legal — organização acusada de fabricar relatórios falsos para sustentar a narrativa de fraude eleitoral.

Eles respondem por:
• tentativa de golpe de Estado
• organização criminosa armada
• atos violentos contra o Estado Democrático
• dano ao patrimônio público e tombado

Independentemente do resultado, o voto de Fux abre um novo capítulo nas tensões internas do STF — e coloca em discussão os rumos do tribunal diante das consequências do 8 de Janeiro.

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