
Lula volta a atacar o dólar, posa de líder global e vende discurso que não enche o prato
Em entrevista internacional, presidente critica tarifas dos EUA, defende moedas locais no Brics e tenta empurrar protagonismo enquanto a economia brasileira segue patinando
Em mais um capítulo do seu roteiro internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu mirar o dólar — de novo. Em entrevista concedida a uma emissora estrangeira, Lula defendeu que os países do Brics passem a usar moedas locais em suas transações comerciais, como se a simples troca de discurso resolvesse décadas de dependência econômica e fragilidade fiscal.
Segundo o presidente, não haveria motivo para Brasil e Índia continuarem negociando em dólar. No mundo ideal de Lula, bastaria “pensar diferente” para redesenhar o comércio internacional. O problema é que, fora do palanque, a realidade é menos poética: o dólar segue sendo a principal moeda global porque inspira confiança — algo que discursos voluntaristas não compram.
A fala veio acompanhada de mais um ataque aos Estados Unidos e ao ex-presidente Donald Trump, responsabilizado por um tarifaço sobre importações. Lula afirmou que convocou uma reunião do Brics para condenar as medidas americanas, tentando vender a ideia de que o Brasil lidera o mundo emergente. Na prática, porém, trata-se mais de retórica diplomática do que de resultado concreto.
O presidente também exaltou o Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, defendendo que ele funcione de forma diferente de instituições tradicionais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. O discurso é velho conhecido: demonizar organismos internacionais enquanto se promete uma “nova ordem econômica”, sem explicar como ela vai funcionar — nem quem vai pagar a conta.
As declarações foram dadas à emissora India Today, durante entrevista feita em inglês com tradução. Para o público externo, Lula tenta vender a imagem de estadista global. Para quem acompanha de perto, soa mais como encenação: muito protagonismo verbal, pouca entrega prática.
Ao comentar conflitos internacionais, Lula voltou ao mantra da “não intervenção”, criticando ações externas na Venezuela e comparando situações completamente distintas, numa tentativa de posar como árbitro moral do planeta. Enquanto isso, o Brasil enfrenta problemas reais — inflação resistente, insegurança jurídica e desconfiança de investidores — que não aparecem nos discursos bem ensaiados.
No fim das contas, Lula fala em abandonar o dólar, mas governa um país que depende dele. Critica tarifas externas, mas não consegue destravar o crescimento interno. Defende inovação financeira, mas repete fórmulas ideológicas do século passado. É o velho contraste: muita fala para fora, pouca solução para dentro.