Maduro cai, mas a repressão continua: jornalistas seguem sendo presos sob novo comando

Maduro cai, mas a repressão continua: jornalistas seguem sendo presos sob novo comando

Sindicato denuncia detenções e alerta que troca de nomes não significou o fim do regime autoritário

A queda de Nicolás Maduro não representou, até agora, uma ruptura real com o autoritarismo na Venezuela. Mesmo após a captura do ex-presidente, jornalistas continuam sendo presos, censurados e intimidados — agora sob o comando interino de Delcy Rodríguez, figura central do mesmo sistema que governou o país nas últimas décadas.

De acordo com o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP), ao menos 14 profissionais de mídia foram detidos na segunda-feira (5), enquanto cobriam eventos em Caracas, incluindo manifestações políticas e a posse da nova legislatura. Entre os detidos, estavam jornalistas de veículos internacionais e nacionais.

Todos acabaram sendo liberados horas depois, mas um repórter estrangeiro foi deportado, reforçando o clima de intimidação contra a imprensa. O sindicato afirma que ao menos dez profissionais chegaram a permanecer sob custódia, e outros episódios semelhantes seguem sendo relatados.

As prisões ocorreram justamente durante a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina, após a retirada de Maduro do poder. Segundo o SNTP, os jornalistas teriam sido acusados de violar uma proibição de filmar, fotografar ou transmitir a sessão da Assembleia Nacional — uma restrição que, na prática, serve como instrumento de censura.

Em nota, o sindicato foi categórico ao afirmar que não há como falar em transição democrática enquanto persistirem práticas típicas de regimes autoritários.

“Não é possível avançar rumo à democracia enquanto continuarem a perseguição política, a censura e as prisões arbitrárias”, afirmou a entidade.

Além das detenções recentes, o SNTP cobra a libertação de pelo menos 23 jornalistas ainda presos, o desbloqueio de mais de 60 veículos de comunicação censurados na internet e garantias mínimas de segurança para o exercício da profissão no país.

Apesar da operação americana que retirou Maduro do poder e das promessas de um período de transição, a realidade no terreno mostra outra face: as instituições seguem controladas por figuras ligadas ao chavismo, e a repressão continua praticamente intacta.

A permanência de Delcy Rodríguez no comando reforça a percepção de que mudou o rosto, mas não o regime. A prisão de jornalistas, o silêncio oficial do governo e a ausência de garantias à liberdade de expressão indicam que a Venezuela ainda está longe de virar essa página.

Enquanto isso, o discurso de “novo começo” contrasta com velhas práticas: censura, medo e perseguição política, agora sob a mesma engrenagem autoritária que sempre sustentou o poder.

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