
Kajuru rompe o silêncio e pressiona Lula: “Não aceito ser tratado como inferior a um inimigo”
Vice-líder do governo no Senado se diz desprezado pelo Planalto, critica ministros e ameaça romper com a base caso situação não seja resolvida
O clima azedou de vez entre o senador Jorge Kajuru (PSB-GO) e o Palácio do Planalto. Vice-líder do governo no Senado, Kajuru desabafou em entrevista à revista Veja e afirmou estar se sentindo traído pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A gota d’água, segundo ele, foi a aproximação do governo com o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), seu adversário direto em Goiás.
“Me sinto traído”, disparou Kajuru. “Ou Lula resolve essa situação — porque eu não aceito ser colocado abaixo de um inimigo meu e dele — ou acaba tudo.”
Pelas redes sociais, o senador reforçou a indignação, acusando o presidente de valorizar desafetos. “Isso não é política, é comprar amor de inimigos. E eu não aceito isso.”
Mesmo ocupando uma posição de destaque na articulação política do governo no Senado, Kajuru afirmou estar sendo boicotado por integrantes da base governista. O motivo? Ele não comemorou publicamente a denúncia contra Jair Bolsonaro. “Não bati palmas porque o Bolsonaro nunca me fez mal. Sempre me tratou com respeito, atendia minhas ligações na hora. Já o Lula… preciso ligar para o ajudante de ordens, porque ele mesmo nem me responde.”
A crítica não parou por aí. Kajuru também reclamou da falta de atenção por parte dos ministros de Lula. Citou diretamente Rui Costa (Casa Civil), Renan Filho (Transportes) e Margareth Menezes (Cultura) como exemplos de chefes de pasta que simplesmente ignoram suas mensagens e pedidos.
O tom cada vez mais pessoal e amargo adotado por Kajuru acende um alerta dentro da base governista. Ele não esconde mais o descontentamento com a maneira como tem sido tratado — e a paciência parece estar no fim.
“Estou no limite. Não é questão de vaidade, é questão de respeito”, concluiu o senador, que agora deixa claro: ou o governo muda sua postura, ou pode perder um dos seus nomes de confiança no Senado.