
Malafaia chama Ciro Nogueira de ‘traidor’ após recusa em apoiar impeachment de Moraes
Senador diz que processo é inviável no Congresso; pastor dispara críticas e acusa parlamentar de “joguinho político”
O clima entre aliados bolsonaristas esquentou nesta quarta-feira (6). O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou que não vai assinar o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, movimento que tem sido incentivado por parlamentares alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A justificativa de Ciro foi pragmática: segundo ele, a ideia não passa de um voo político sem combustível, já que não há votos suficientes para derrubar o ministro. “Não temos 54 senadores para aprovar. Em 32 anos de mandato, aprendi a não perder tempo com pautas fadadas ao fracasso”, afirmou, lembrando que só o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pode dar andamento ao processo — e ele já disse que não fará isso.
A declaração caiu como gasolina no fogo. O pastor Silas Malafaia, apoiador ferrenho de Bolsonaro, não poupou críticas. Chamou Ciro de “raposa” e “camaleão” da política, além de acusá-lo de “trair” a causa bolsonarista. “Se recolha à sua mediocridade política”, escreveu no X (antigo Twitter), insinuando que o senador estaria jogando um “joguinho político psicológico”.
Na prática, o impeachment de um ministro do STF nunca ocorreu desde que passou a ter previsão legal, em 1950. E a última vez que um integrante foi afastado foi em 1894, num caso excepcional ainda no período imperial.
Enquanto isso, no Senado, a oposição mantém a obstrução dos trabalhos como forma de protesto contra a prisão de Bolsonaro e para pressionar por medidas que beneficiem o ex-presidente.