
Lula faz apelo a Macron por acordo Mercosul-UE: “Não somos rivais, somos parceiros”
Em discurso no Palácio do Planalto, presidente brasileiro reforça urgência no fechamento do tratado com a União Europeia antes de deixar a liderança do Mercosul
Durante a cerimônia de lançamento do Plano Safra nesta terça-feira (1º/7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender com veemência a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Lula quer concluir as negociações até dezembro, quando encerrará seu mandato à frente do bloco sul-americano — e afirmou que essa será uma de suas prioridades.
Em tom direto e cordial, Lula relembrou conversas recentes com o presidente francês Emmanuel Macron e com Jean-Luc Mélenchon, líder da esquerda na França, tentando convencê-los de que o tratado não representa uma ameaça à produção agrícola europeia.
— A agricultura do Brasil não compete com a da França. Somos complementares, não concorrentes. O que exportamos de carne para vocês é insignificante. Então, Macron, você tem duas opções: abrir seu coração para o Brasil ou mandar um grupo de agricultores franceses conhecer a realidade do nosso campo — disse Lula, em discurso no Planalto.
Apesar de reforçar que o Brasil não está competindo diretamente com os produtores franceses, Lula deixou no ar que o país tem potencial para competir no futuro, se for necessário:
— Nosso objetivo não é tirar espaço de ninguém. Mas se precisarmos competir, também sabemos fazer isso.
Lula embarca nesta quarta-feira (2/7) para Buenos Aires, onde assumirá oficialmente a presidência do Mercosul na quinta (3/7). A conclusão do acordo comercial com a União Europeia é o grande foco dessa nova etapa.
Embora especialistas apontem que o tratado ainda está distante de uma finalização definitiva, reconhecem que houve avanços desde que Lula voltou ao comando do Brasil — sobretudo nas questões ambientais, uma das principais exigências da Europa.
Enquanto tenta destravar o acordo histórico, o presidente brasileiro aposta no diálogo e na diplomacia direta para convencer líderes europeus de que o Brasil é um parceiro confiável — e que, juntos, podem construir uma relação mais equilibrada e justa no comércio global.