
Malafaia se revolta com retenção de passaporte e diz que perdeu viagens a Boston e Punta Cana
Pastor afirma que decisão de Moraes o impede de pregar nos EUA e acusa o ministro de “covardia”
Silas Malafaia não poupou palavras ao comentar a decisão do ministro Alexandre de Moraes que reteve seu passaporte e o colocou sob investigação. Em entrevista ao vivo, o pastor disse que está impedido de viajar para Boston, onde lidera uma igreja e celebraria o casamento da filha de um pastor amigo, além de participar da conferência Viva Boston.
Ele contou ainda que também perdeu uma viagem de lazer a Punta Cana, planejada com a esposa e um grupo de casais amigos. “Foram duas viagens canceladas: uma para pregar e casar a filha do pastor, outra de descanso com pessoas que fazem parte da minha vida há décadas”, afirmou.
Malafaia criticou duramente a decisão: “É pura covardia de um ditador. Retirar o passaporte de um líder religioso que não tem denúncia de crime é um absurdo. Estou apenas sendo investigado. Que democracia é essa?”.
Além do passaporte, o pastor teve celulares, sigilos bancários e fiscais liberados para análise da PF, e está proibido de manter contato com Jair e Eduardo Bolsonaro. Mesmo assim, disse que entregou a senha do aparelho “sem medo de nada”.
O pastor também reclamou da divulgação de suas mensagens privadas com Bolsonaro e se disse vítima de perseguição. “Querem me calar, mas só me calando na prisão. Eu não sou bandido”, desabafou.
No centro da investigação, Malafaia é suspeito de ter ajudado Eduardo Bolsonaro a articular, junto ao governo Trump, sanções contra ministros do STF e seus familiares, como forma de tentar barrar o processo contra Jair Bolsonaro, acusado de conspirar em uma tentativa de golpe de Estado entre 2022 e 2023.
Sobrou até para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), acusado pelo pastor de “jogo sujo” por não pautar a anistia dos réus do 8 de janeiro. “Ele não tem palavra, está preso ao STF por interesses próprios. O povo da Paraíba vai dar a resposta”, disparou.
Para Malafaia, só a pressão popular pode obrigar o Congresso a enfrentar o Supremo. “Cada manifestação é um tijolinho. Cada vídeo é um tijolinho. O poder é do povo”, concluiu.