Marcos do Val desafia o STF: acusa Moraes de perseguição e ameaça com comitiva internacional

Marcos do Val desafia o STF: acusa Moraes de perseguição e ameaça com comitiva internacional

Senador usa discurso no Senado para afirmar que órgão ligado à ONU condenou Alexandre de Moraes por violações de direitos humanos contra ele

Antes de embarcar rumo aos Estados Unidos, contrariando uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, o senador Marcos do Val (Podemos-ES) fez um discurso explosivo no plenário do Senado. Com tom de desafio e acusação grave, ele afirmou que uma comissão ligada à ONU condenou Moraes por crimes relacionados a violações de direitos humanos contra ele próprio — e que essa comissão vem ao Brasil para investigar a suposta perseguição política que sofre.

Marcos do Val não poupou palavras e repetiu, para todos ouvirem, que a “União Interparlamentar”, órgão internacional reconhecido e que já premiou vários Nobel da Paz, teria julgado e condenado Alexandre de Moraes de forma unânime, com representantes de 181 países. Segundo ele, Moraes cometeu cinco crimes e pratica uma perseguição política — que, nas palavras do senador, configura um “crime contra a humanidade”.

O senador relatou ainda que sua liberdade de ir e vir foi cerceada com a apreensão do passaporte, que está com o governo desde agosto do ano passado, e que sofreu “suspensão” do salário, tudo sem direito ao devido processo legal. Ele convocou quem quiser comprovar que a condenação está disponível publicamente no site da comissão.

O caso ganhou contornos ainda mais controversos porque Marcos do Val usou passaporte diplomático para sair do Brasil, mesmo com uma ordem judicial contrária. Em nota oficial, divulgada após a viagem, ele alegou que a decisão judicial não proibia sua saída do país, apenas determinava bloqueios nas redes sociais e a entrega dos passaportes — mas sem impedimento de viagem.

Este episódio evidencia o confronto aberto entre o senador e a mais alta corte do país, enquanto ele reafirma publicamente sua condição de “perseguido político” e mobiliza uma narrativa que tenta internacionalizar o conflito, envolvendo até organismos ligados à ONU.

O clima de tensão é palpável, e o desdém às decisões judiciais por parte de um representante do Legislativo deixa uma pergunta inquietante: até onde vai a disputa política antes que as instituições essenciais ao Brasil se desfaçam no jogo de interesses e vaidades?

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