
Marielle vive entre nós, mas Lula silencia sobre decisão de Moraes
Presidente reforça compromisso com justiça e memória da vereadora, mas ignora impunidade de suspeitos em liberdade
Durante a abertura da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, nesta segunda-feira (29), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso emocionado em homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018 no Rio de Janeiro. “Marielle vive entre nós”, afirmou, exaltando a luta da parlamentar contra a violência política, o racismo e o poder das milícias.
Lula também destacou o papel das mulheres na sociedade e em cargos de liderança:
“O futuro da humanidade é feminino. Mais cedo ou mais tarde, vocês estarão governando este planeta. Espero que governem com o coração, pois ele é sempre mais centrado do que a razão.”
No entanto, o discurso chamou atenção pelo silêncio do presidente em relação à decisão do ministro Alexandre de Moraes, que permitiu que suspeitos investigados como possíveis mandantes do assassinato de Marielle permanecessem em liberdade. A ausência de qualquer crítica às medidas que mantêm suspeitos impunes gerou indignação entre familiares e defensores da vereadora, que esperavam um posicionamento firme do chefe de Estado.
O caso Marielle segue como símbolo da luta pela justiça no Brasil: ela foi assassinada em 14 de março de 2018, junto com seu motorista Anderson Gomes. Ronnie Lessa foi condenado como autor dos disparos, e Élcio de Queiroz como motorista do carro do atentado. Outros suspeitos, como os irmãos Brazão e o ex-delegado Rivaldo Barbosa, ainda não foram julgados, mantendo a dor e a sensação de impunidade para familiares, amigos e a sociedade.
Apesar do silêncio sobre a atuação do Judiciário, Lula reforçou o compromisso com políticas de igualdade de gênero e justiça social:
“A luta pela justiça e pela igualdade de oportunidades é contínua. Marielle nos lembra diariamente que a coragem e a determinação das mulheres podem mudar o mundo.”
O contraste entre o discurso emotivo e o silêncio diante da impunidade evidencia um choque entre palavras e ações, e deixa claro que o compromisso com a memória de Marielle ainda precisa se traduzir em posicionamentos concretos frente à justiça.