
Mendonça vê esquema no INSS como ‘máfia sofisticada’ com braços no poder público
Ministro do STF apontou que fraudes contra aposentados foram planejadas com várias camadas de operadores e conexões dentro do Estado
Em sua primeira decisão no caso dos desvios no INSS, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), descreveu o esquema como uma “estrutura criminosa complexa”, com diferentes operadores financeiros e gente infiltrada em órgãos públicos.
A fala do ministro veio ao autorizar a prisão de Antônio Carlos Camilo Antunes, o chamado “Careca do INSS”, e do empresário Maurício Camisotti, além de buscas contra o advogado Nelson Wilians. As prisões ocorreram na sexta-feira, 12, dentro da Operação Sem Desconto, que revelou um esquema milionário de descontos indevidos em aposentadorias.
Para Mendonça, o golpe foi orquestrado de forma profissional, lesando milhares de aposentados e pensionistas. Ele destacou que os envolvidos criaram estratégias para esconder o dinheiro desviado, o que configura crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e até obstrução de Justiça.
“As investigações mostram uma criminalidade planejada, com operadores em diferentes níveis, destinada a desviar recursos previdenciários e a ocultar os valores ilícitos obtidos”, escreveu o ministro.
As defesas reagiram. O advogado de Antunes, o “Careca”, afirmou que a prisão é injusta e que vai apresentar provas de inocência. Já os representantes de Camisotti alegam que a ação policial foi abusiva — inclusive porque o empresário teria tido o celular tomado enquanto falava com seu advogado.
Wilians, por sua vez, disse colaborar com as investigações e negou qualquer irregularidade, afirmando que sua relação com um dos investigados é apenas profissional.
O caso segue como um dos maiores escândalos já investigados na Previdência, mostrando como uma rede de interesses privados conseguiu transformar aposentadorias em um negócio bilionário às custas dos mais vulneráveis.